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domingo, 1 de abril de 2012

Sangue Vertido - Post II

Tratava-se, de um casebre de três peças, onde se instalaram, respectivamente permanecendo inócuos, até o presente momento... - Me dê a posição exata de nossas presas, Bate-estacas!
Afirma o homen de meia idade, a seu jovem companheiro. Enquanto, abastece de munição suas pistolas.
- As presas continuam se alimentando, reverendo...
Responde o musculoso ébano, que sentado em uma cama, do aposento, observa atentamente com seu binóculo infravermelho, atravéz de uma das janelas do quarto.
- Malditos, que estas sejam as suas ultimas refeições!
Brada Caçador, guardando em seus coldres suas pistolas e fazendo mão de um pequeno livro que deixara em cima da mesa.
- Localize a Lâmina.
- Chegou à hora de fazermos à vontade de Deus...
Acatando a ordem de seu experiente líder, imediatamente
Bate-Estacas tenta entrar em contato com Lâmina...
- Cão raivoso, para Águia...
- Na escuta Águia, responda...
De seu comunicador, Bate-Estacas tenta sem sucesso, conectar-se por diversas vezes, com sua companheira.
- Cão raivoso, para Águia...
- Bata asas e volte para o ninho...
Injuriado, Bate-Estacas reporta sua falha tentativa, a seu severo comandante, que de costas para cama, não percebe o sorriso irônico nos lábios de seu pupilo.
- Contato não estabelecido, reverendo.
- Tudo indica que o comunicador dela, esta inativo.
Afirma Bate-Estacas, com plena convicção.
- Garota insolente.
- Parece fazer questão de desobedecer minhas ordens.
- Vamos prosseguir sem ela, temos uma missão a cumprir e o tempo corre contra nosso favor. Depois conversaremos a respeito do acontecido e decidiremos sua punição.
Enfatiza Caçador, em um tom sóbrio, enquanto veste seu sobretudo acinzentado, que o acompanha de longa data.
- Que seja feita sua vontade, reverendo.
- Com sua benção...
Diz  Bate-Estacas, atrelando seu binóculo ao pescoço, em seguida fazendo o sinal da cruz e partindo em direção da cozinha.
- O que vai fazer garoto?
- Não podemos perder nem mais um minuto aqui dentro!
Exclama Caçador, caminhado em direção a porta de saída.
- Acalme-se reverendo, só fui buscar meu brinquedinho.
Responde Bate-Estacas, de posse de seu martelo de batalha.
Devidamente equipados, ambos saem do recinto e ganham as ruas penumbrósas de El Paradiso. Enquanto isso, a metros dali...
Continua...

sábado, 24 de março de 2012

Sangue Vertido - Post I

“Quinze luas depois da morte, a trindade se levantara contra os nefastos, subira os altares e um coro de setecentos demônios entoara uma nova canção sobre o pântano de sangue... E quando o estábulo estiver cheio de cavalos, serão abertas as portas e então, as criaturas sombrias saciaram sua sede de sangue. Isso acontecerá na época do sol... Para a cruz haverá blasfêmia e chegará o dia em que não bastará a terra para sepultar os mortos, que já não ficam a sete palmos do chão... Não passará muita água sob as pontes, antes que a noiva se desencadeie em uma briga furiosa. A cruz será jogada no porão e martelos golpearão os altares e chamas devorarão as igrejas. Assim começará a caça à serpente, das serpentes”...

Deserto de El Paradiso, Novo México

15 de Novembro, 2011 (22h45min; hora local)
Uma enorme lua resplandece no céu, trazendo consigo um forte vento cálido, que por sua vez, faz com que uma vasta e espessa camada de poeira se erga ao ar. Como de costume, é mais uma noite tórrida na província de   El Paradiso. As estiagens que persistem desde a grande tempestade, assolam e assombram, esta terra castigando todo e qualquer ser vivo, que por uma questão de sobrevivência, faz deste árido solo, seu lar.
A muito, o sol deu as costas para o vilarejo, amenizando um pouco o intenso calor que fizera durante o dia, onde todos os moradores aguardam ansiosos o merecido descanso em seu lar, pois é chegado o momento, em que um a um, os geradores que permeiam El paradiso, vão sendo ligados... E dentre alguns instantes, uma precária iluminação se fará presente nas centenas casas de pau-a-pique, que dão abrigo a este aguerrido povoado agrícola.Também conhecido como “Camponeses do deserto”.
Situada a quilômetros de distância de sua capital, este povoado tornou-se um lugar esquecido por suas autoridades. Tão somente, de tempos em tempos, em épocas eleitorais, vislumbrando a oportunidade de angariar votos junto ao povo, figurões levam suas comitivas, carregadas de roupas, mantimentos, especiarias e algumas cabeças de gado, a fim de ofertá-las, em troca de um oportuno comprometimento partidário... Pois, o dia de hoje em El Paradiso, iniciou-se assim, atípico... Quando tudo levava a crer que seria mais uma rotineira manhã escaldante, eis que, uma dessas comitivas instalou-se na cidade. Tratava- se de apenas um furgão, mas municiado de  roupas e muita comida. O suficiete para mobilizar a população de tal forma, que era notória a satisfação, naqueles sofridos semblantes. E para um espanto ainda maior daquela comunidade, quando acometidos por um silêncio abissal, resignaram-se a apenas a ouvir a palavra de Deus, proferida pelos inusitados visitantes, em troca de seus benefícios, ao invés daquele tradicional discurso inflamado, repleto de promessas colossais e incertezas, as quais este sofrido povo estava cansado de ouvir, por vezes e vezes...
Regido por um homem de meia idade, cabelos longos e loiros, devidamente amarrados, de barba completa e de voz articulada, o ato se iniciou em praça pública. O orador estava acompanhado por uma atraente mulher, de pele morena, olhos esverdeados, de cabelos negros e curtos. Adjunto de um jovem espadaúdo, de cor negra, cabeça raspada e um comprido cavanhaque, dotado de um porte atlético de se fazer inveja. Estes três forasteiros, fizeram um circulo, entrelaçando suas mãos e após algumas palavras confortantes e uma breve oração, decidiram fazer a devida distribuição dos alimentos e afins, a todos que ali se encontravam. Em seguida o grupo, seguiu para a única estalagem do vilarejo, para por fim, descansarem da longa viagem.
Continua...
killswitch engage - as daylight dies

quinta-feira, 22 de março de 2012

Projeto Guardiões

Histórico: No início dos anos 90, foi criado pela Igreja Católica um grupo de seres com “dons especiais”, denominados Guardiões. Este grupo visava garantir a segurança do povo cristão, combatendo e exterminando toda e qualquer ameaça sobrenatural, que pudera se opor a humanidade. Treinados a exaustão os Guardiões, desde então, tornaram-se uma força imprescindível nos dias de hoje, visto que, a cada instante que passa uma pessoa é corrompida pelas “forças sombrias”, desequilibrando assim a balança entre o bem e o mal.

Membros:
• John Washburn (Caçador)
Líder dos Guardiões e membro mais velho do grupo, Reverendo Burn como é chamado por seus seguidores, largou a batina assim que sua irmã foi raptada em meados de 2005, supostamente por uma “criatura das sombras”, afirma o próprio que desde então passou a caçá-la (a criatura) incessantemente na tentativa de reaver a sua irmã, que acredita ainda estar viva. Burn possui o dom de regenerar todo e qualquer ferimento, bem como restituir partes perdidas de seu corpo.
Natureza: Juiz
Comportamento: Autoritário
Conceito: Arrogante

• Sarah Fergson (Lâmina)
Abandonada quando pequena pela família, por ser uma criança “diferente” das outras, devido as suas habilidades especiais, Sarah foi criada pelos catolicistas, onde doutrinou seu corpo e mente tornando-se uma perfeita máquina de fazer justiça. Sarah possui o dom da telecinese e agora faz parte dos Guardiões, tendo em seus companheiros seu novo lar.
Natureza: Cruel
Comportamento: Fria
Conceito: Inconseqüente


· Diego Canavarro (Bate-Estacas)
Acometido pela perda total de sua memória, após um grave acidente ao qual foi o único sobrevivente (devido ao seu dom) Diego foi acolhido por seus irmãos na fé, onde lentamente reestruturou sua vida e controlou seu poder latente, a invulnerabilidade. Se sentindo em divida com a “Instituição”, tomou parte nos Guardiões, jurando defender com sua própria vida a causa, ao qual faz parte desde então.
Natureza: Invejoso
Comportamento: Esperto
Conceito: Comediante

domingo, 18 de março de 2012

Terras Sombrias Cap. 3 – Velhos Desatinos, Doces Devaneios (Post II)

- Gládio! Disse Flecha calorosamente, virando-se para a porta, antes de chegar ao seu etinerario. O velhote que agora aquecera suas enrugadas mãos nas fogosas labaredas.
Todos, com exceção de Dante, se viraram. O mago recolheu-se uma vez mais para as sombras, tornando-se invisível num raio de dez metros.
Em pé na porta, havia uma silhueta ereta de costas, vestindo uma armadura completa e cota de malha, com o símbolo da Ordem dos Cavaleiros Templários no peitoral de aço. Muitas pessoas na hospedaria se viraram para olhar, franzindo as testas. Os Cavaleiros Templários tinham adquirido uma má reputação no norte. Boatos da corrupção deles tinham chegado até mesmo aqui ao sul. Os poucos que reconheceram Gládio como um antigo morador do vale, deram de ombros e voltaram para suas bebidas. Aqueles que não o reconheceram continuaram a observar. Nestes dias de paz, era incomum ver um cavaleiro vestindo uma armadura completa entrar na hospedaria. Mas era ainda mais incomum ver um cavaleiro vestindo uma armadura completa que datava, praticamente, da época do Cataclismo, também conhecida como Era sombria. Gládio recebeu os olhares como saudações por seu posto. Ele alisou cuidadosamente seu grande e espesso bigode, que por ser um símbolo dos cavaleiros dos velhos tempos, era tão obsoleto como sua armadura. Embora as pessoas na hospedaria não tirassem os olhos dele, ninguém, depois de dar uma olhada nos olhos frios e calmos do cavaleiro, ousou debochar ou fazer um comentário de menosprezo. O cavaleiro manteve a porta aberta para um homem calvo e uma mulher coberta de peles de animais. A mulher deve ter dito uma palavra de agradecimento a Gládio, pois ele se curvou diante dela de uma maneira cortês, um velho costume totalmente fora de moda no mundo moderno.
- Olha isso, o galante cavaleiro ajuda a dama. Onde será que ele arranjou aqueles dois? Questionou Montante balançando a cabeça admirado.
- Eles são bárbaros das planícies, conheço de longe esse cheiro. Disse Garth, de pé em uma cadeira, acenando com a mão para seu amigo, que não vê de longa data.
Aparentemente o casal da planície recusou alguma oferta que Gládio lhes fez, pois, o cavaleiro se curvou novamente e os deixou. Ele cruzou a hospedaria com um ar nobre e orgulhoso, igual ao que ele deve ter usado quando caminhou na direção do Rei Haron III, quando foi sagrado cavaleiro.
- Ora, ora, quem eu vejo por aqui... Se os meus velhos olhos não me enganam, seria
o meu Duende favorito? Disse sorridente Gládio, ao passar por Flecha, ignorando-a.
- É você mesmo pequenino? Perguntou Gládio, com um ar desconfiado?
-Sim, sou eu mesmo, velho amigo. Em carne, truques e ossos! Respondeu Garth, enquanto saltava para cima do nobre cavaleiro. Gládio imediatamente estendeu seus braços e aparou o impetuoso Leprechal, acomodando-o em seu colo. Todos que presenciaram aquela atípica cena, gargalharam, exceto Flecha, que sem exitar, deu as costas e seguiu a passos largos em direção ao ancião. Aparentemente seus atritos do passado, ainda não puderam ser superados. Subitamente, ao chegar junto ao velho,
antes que a elfa pudesse proferir qualquer palavra ele a indagou:
- Eu sabia que você viria. Mas por que demorou tanto? Não importa, vamos sair daqui.
E como num passe de mágica, ambos sumiram da estalagem, num piscar de olhos.
Continua...
medieval - Medieval 2

domingo, 11 de março de 2012

Terras Sombrias Cap. 3 – Velhos Desatinos, Doces Devaneios (Post I)

Dante uma vez mais, inclinou-se para frente, de um modo em que todos pudessem percebê-lo. Ele e Montante olharam um para o outro enquanto pensamentos sem palavras eram trocados entre eles, como quando crianças. Foi um momento raro, pois somente grandes perigos ou dificuldades pessoais tornavam aparente o parentesco desses irmãos. Misty era meia-irmã mais velha de Dante e Montante, o que não impedia o estreito laço do mais profundo carinho por ambos.
- Misty não quebraria o seu juramento a menos que outro juramento mais forte a impedisse. Pensou alto Dante.
- Mas exatamente, o que ela diz? Perguntou Montante.
Flecha hesitou, depois passou a língua nos lábios secos e falou:
- Suas obrigações com seu novo senhor a mantém ocupada. Ela pede desculpas e manda seus melhores votos para todos nos e seu amor.
A elfa sentiu a garganta se contrair, então tossiu, para em seguida continuar a leitura.
- O amor eterno para seus irmãos e para...
Flecha fez uma pausa depois enrolou o pergaminho, interrompendo abruptamente o texto que dissertava para seus amigos.
- Amor para quem? Perguntou Garth inocentemente.
- Ai! Gritou o duende, olhando para o anão que tinha pisado em seu pé.
O leprechal viu Flecha ficar vermelha.
- Vocês sabem o que ela quer dizer? De que novo senhor ela esta falando? Perguntou Flecha para os irmãos, que a essa altura pareciam resignados.
- E quem é que sabe de Misty? Perguntou Dante encolhendo seus ombros estreitos e tornando a falar enquanto seu irmão apenas o observava.
- A última vez que a vimos foi aqui mesmo, no barril, dez anos atrás. Ela estava indo para o deserto de Nasgarth. Não ouvimos falar mais dela desde então. Com relação ao novo senhor, eu diria que agora nos sabemos por que ela quebrou seu juramento conosco: - Ela jurou aliança a outro. O que já era de se esperar, afinal de contas, ela é uma mercenária e morrerá sendo uma. Isto esta no seu sangue e é o que rege a sua vida, a essa altura certamente nos estamos em segundo plano.
- Certamente. Admitiu Flecha balançando a cabeça.
Ela colocou o pergaminho de volta em sua caixa e olhando para Mirlla perguntou:
- Você disse que isto chegou em circunstancias estranhas? Conte-me.
- Um homem o trouxe no fim da manhã. Pelo menos, eu acho que era um homem. Ele estava enrolado dos pés a cabeça em um manto esfarrapado. Eu não conseguia nem ver o rosto dele. Sua voz era rouca e ele falou com um sotaque estranho... “Entregue isto a arqueira elfa Flecha”. Eu lhe disse que você não estava aqui e não havia estado a vários anos. “Ela vai estar”, o homem disse. Depois ele partiu. Isso é tudo que posso lhe dizer, no entanto aquele velho ali o viu... Disse Mirlla apontando para um velho que estava sentado imóvel em frente ao fogo.
- Você poderia perguntar-lhe se ele notou algo mais. Completou Mirlla.
Flecha virou-se para olhar para o velho que olhava fixamente para as chamas. Farid tocou o braço de Flecha dizendo:
- Eis alguém que pode lhe dizer mais, minha amiga.
A elfa rumou em direção ao velho, ao passo em que o tempo voltou a seu curso normal.
Continua...
Xandria - India - Black and Silver

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 2 - Crepúsculo Lacrimal (Post V)

Montante sorriu e disse: - Agora, Flecha adivinhe quem ela é. Você também Farid. Se vocês acertarem, eu pago esta rodada e as outras cinco próximas... Esta é uma noite para ser celebrada!
Feliz por poder tirar seu pensamento da história sinistra de Dante, a elfa olhou para a garota sorridente. Cabelos vermelhos encaracolados a volta do rosto, cobriam parte dos seus olhos verdes e havia algumas sardas espalhadas por seu nariz e bochechas. Embora sua fisionomia não lhe parecesse estranha, a elfa não reconhecera a bela moça.
- Eu desisto! Para nos elfos, os humanos parecem mudar tão rapidamente que a gente se perde. Eu tenho 102 anos, e para você não pareço ter mais de trinta. E para mim, esses cem anos parecem trinta. Esta jovem devia ser uma garota quando nos partimos.
- Eu tinha catorze. Disse a garota colocando a bandeja na mesa.
- Montante costumava dizer que eu era tão feia que meu pai teria que pagar alguém para se casar comigo. Complementou a garota sorrindo, enquanto distribuía uma á uma, as canecas a mesa com a extrema perícia de quem já fizera aquilo por inúmeras vezes.
- Mirlla! Gritou Farid, batendo o punho a mesa.
- Você paga, seu grande idiota. Tagarelou o anão.
- Não é justo, ela te deu uma dica! Reclamou o gigante sorrindo.
- Bem, os anos provaram que ele estava errado, viajei por vários lugares e confesso, você é uma das garotas mais belas que já vi. Disse Flecha, sedutoramente.
Mirlla enrubesceu envaidecida. Depois sua face ficou seria...
- A propósito, Flecha, isto chegou para você hoje. Em circunstâncias estranhas...
Flecha franziu a testa e pegou o objeto. Era uma pequena caixa para pergaminho feita de uma madeira negra altamente polida. A elfa removeu vagarosamente um pequeno pedaço de pergaminho e o desenrolou. Seu coração batia, aceleradamente quando ela reconheceu a caligrafia tremula e grossa.
- É de Misty! Disse a elfa finalmente, sabendo que sua voz havia soado tensa e não natural como de costume. Dificilmente se via a elfa perder a linha.
- E o que ela diz? Perguntou o anão, colocando sua caneca de vinho a mesa.
- Ela não vem! Afirmou Flecha em um tom sóbrio, enquanto olhava para seus amigos.
Houve um momento de silêncio, em que cada um dos presentes remeteu-se ao passado e por alguns segundos tudo que viveram juntos, passou diante seus olhos.
- Acabou-se! O círculo foi rompido, o juramento quebrado. Isso é má sorte... Pelos deuses, juro que isto é má sorte. Afirmou Farid balançando a cabeça, enquanto derrubava sua caneca de vinho pela mesa, atraindo atenção de todos ao seu redor.
- Que os deuses dos sortilégios tenham piedade de nos! Completou Garth “Mãos ligeiras”, segurando firmemente um de seus incontáveis patuás. Um colar perolado, ungido em um óleo feito de ervas silvestres aromáticas.
- Não se deixem impressionar pelas circunstâncias, meus bravos amigos. Seja o que for que o destino nos tenha reservado, ainda a tempo para ser mudado. Afirmou Dante lugubremente, fechando seus olhos e permitindo a seus companheiros vislumbrarem apenas a escuridão. No entanto, seus olhos cerrados não foram capazes de conter uma única lágrima que escorrera furtivamente por seu rosto metálico se estatelando ao chão.
Novamente o ar se tornou pesado... E baderna que ecoava pelo Barril de Cedro, não se era mais ouvida. Como se aquela mesa estivesse bloqueada por uma barreira mística.
Subitamente, tudo a volta dos guerreiros se estagnou, tornando o tempo inerte a partir daquele instante. Em seguida, ao passo de uma fração de segundos, todos dentro da estalagem permaneceram empedernidos, exceto Dante, Montante, Farid, Flecha, Garth e Mirlla. A partir daquele momento, a profecia se cumpria e o mago sabia exatamente o que isto significava... Suas vidas estavam prestes a desfalecerem. E este era o sinal de que seu mentor tanto lhe falava... Ali se iniciara o inevitável principio do fim. 
Continua...      

Xandria - India - Black and Silver

Terras Sombrias Cap. 2 - Crepúsculo Lacrimal (Post IV)

Havia um leve toque de sarcasmo na voz gentil de Dante. A elfa mordeu os lábios para não falar nada. Dante não tinha tido nunca, em sua vida inteira, nenhum “caro amigo”.- Eu tinha sido escolhido por Erik-Zalian, o líder da minha ordem, para fazer o teste.
Dante continuou...
- O teste? Flecha repetiu surpresa.
- Mas você era muito jovem. Tinha o quê? Quinze anos? O teste é dado apenas para os magos que já estudaram há muitos anos... Contestou a elfa.
- Você pode imaginar o meu orgulho. Dante disse friamente, irritado pela interrupção.
- Meu irmão e eu viajamos para o lugar secreto, as lendárias Ruínas de Dragull. Foi lá que eu passei no teste. E lá, eu quase morri! A voz do mago quase sumiu.
A garganta de Montante se apertou obviamente tomado por uma emoção forte.
- Foi terrível! O homenzarrão falou, a voz tremula.
- Eu o encontrei morrendo naquele lugar horrível, o sangue escorria de seu corpo! Tudo a sua volta estava destruído. Eu o levantei e...
- Chega meu irmão! A voz suave de Dante estalou como um chicote.
Montante se encolheu. Flecha viu os olhos dourados do mago se apertar e suas mãos finas se juntarem. Montante ficou calado e engoliu o seu vinho, olhando nervosamente para o irmão. Havia claramente uma tensão no ar... Dante respirou fundo e continuou.
- Quando acordei, a minha pele tinha se tornado desta cor, uma marca do meu sofrimento. Meu corpo e minha saúde estão irrecuperavelmente destruídos. E meus olhos... Eu vejo através de pupilas em forma de ampulheta e, portanto, eu vejo o tempo... Percebo como ele afeta todas as coisas vivas e inanimadas. Mesmo agora, enquanto olho para você, Flecha. Eu vejo você morrendo aos poucos e muitos que aqui se encontram. Sussurrou o mago, segurando o braço da elfa.
A arqueira estremeceu ao sentir o toque frio da mão fina de Dante e começou a retirar seu braço lentamente. Entretanto, a mão do mago continuava imóvel.
O mago se inclinou para frente, seus olhos brilhavam fervorosamente, enquanto ele continuava a falar em um tom sombrio.
- Mas agora eu tenho poder! Erik-Zalian me disse que chegaria o dia em que minha força moldaria o mundo... Pois eu detenho este poder e ele provem do cajado de Dragus. Afirmou o mago apontando para o seu lado.
Flecha viu um cajado apoiado contra o tronco da árvore a uma pequena distância da mão de Dante. Era um cajado simples de madeira. Onde uma bola de cristal transparente ornava cintilantemente, presa em uma garra dourada, talhada de modo a parecer à garra de um dragão vermelho, oriundo das Ruínas de Drakhar.
- E valeu à pena? Perguntou Flecha baixinho.
Dante fixou seus olhos nela, depois seus lábios se abriram numa caricatura de sorriso. Ele tirou sua mão vagarosamente do braço de Flecha colocando-as dentro das mangas de seu manto, assumindo uma postura de resguardo.
- É claro que sim, não esta evidente? Sibilou o mago.
- Poder, como vocês bem sabem é o que eu venho buscando há muito tempo... E ainda busco, pois continuo acreditando, que esta seja a única forma de evoluirmos.
Dante reclinou seu corpo para trás e sua pequena silhueta se misturou no escuro da sombra, até tudo que Flecha era capaz de ver eram seus olhos dourados, reluzindo a luz do fogo, que a essa altura erguia-se em trepidantes labaredas incandescentes.
- Vinho! Bradou Farid, limpando a garganta e lambendo os lábios como se ele fosse tirar um gosto ruim da boca.
- Onde esta o leprechal? Eu acho que ele roubou a atendente... Ironizou o anão.
- Aqui estamos nos! Gritou a voz alegre de Garth.
Uma ruiva alta e jovem apareceu detrás dele, carregando uma bandeja com canecas.
Continua...
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