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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 10

Hector assustado, caminha na direção de seu mentor e o questiona:
-Do que você esta falando? Eu estava negociando com alguns demônios e agora você me vem dizer que será o fim dos dias... Que eu desencadeei o Armageddon. Besteira! Eu vou resolver isto do meu jeito! Exclama Hector, dando as costas para o Mago Supremo.
-Alto lá, não ouse me desafiar, me farei mais claro para que possas realmente entender a gravidade da situação em que nos encontramos.
-Há séculos foi-me conferida uma importante tarefa. Guarnecer incessantemente o túmulo de um poderosíssimo demônio, aprisionado em uma de nossas Cidadelas. Demônio este, que nos custou inúmeras baixas, magos de essências muito mais altas que a minha ou de qualquer outro ser que conheças. E se você nos fez o favor de trazer demônios a Terra que me parecem deveras interessados em nossas cidadelas, não me surpreenderia nem um pouco se eles fossem da mesma linhagem deste temível ser das trevas.
Hector parece não acreditar no que acontecera e lamenta sua infelicidade.
-Mas como você pode estar tão certo, de que esses demônios que eu evoquei, tem alguma ligação com o tal ser infernal, que outrora você combateu? Pois eu acho que seria uma incrível coincidência, estes fatos estarem interligados!
Exclama Hector voltando de encontro a seu mestre.
-Seria muita presunção minha, não levar em consideração presságios tão claros como estes, de forma que, a menos que eu esteja enganado, estamos correndo um grave perigo, real e imediato. Por via das dúvidas, mobilizarei toda a irmandade para certificar-me que tudo isto não passa de uma peça que o destino resolveu nos pregar!
Conclui o Mago Supremo.
-Droga! Não pode ser, tem que haver uma saída para revertermos essa situação. Eu vou resolver isso de qualquer jeito!
Retruca Hector, gesticulando fervorosamente.
No entanto, o Mago Supremo o interrompe dizendo:
-Você esta fora desse problema. Eu estou assumindo daqui!
-Mas mestre, eu quero ajudar, afinal de contas fui eu o causador de todo este transtorno e nada mais justo do que sujar minhas mãos!
Exclama Hector, inconsolado com a decisão de seu superior.
-Não discuta comigo! Você será escoltado até uma de nossas Cidadelas, onde ficará em reclusão, até esta questão ser resolvida. E a propósito não sou mais seu mestre!
Afirma o Mago Supremo, em um tom sóbrio, a seu ex-discípulo, que calado apenas escuta Sombra chamar sua camorra e com ar de preocupação delegar uma nova ordem:
-Diniz, quero que vocês peguem o meu carro e conduzam o nosso amigo a Cidadela das Sombras, onde ele permanecerá lá até resolvermos este problema. No caminho ele poderá explicar melhor, o que está acontecendo. Conto com vocês novamente!
Exclama o Mago Supremo.
-Certamente, conte conosco para o que for preciso, creio que falo por todos aqui presentes.
Afirma Diniz, encarando seus companheiros.
-Muito bem amigos, chegando à Cidadela aguardem minhas instruções. Agora aviem-se, pois o tempo que nos resta é pequeno.
Ressalta Sombra.
O Mago Supremo conduz seus companheiros até a porta e acenando despede-se mais uma vez, certo de que não estará sozinho nesta nova jornada. Dentro do carro, um corsa bordô, acomodam-se no banco de trás Blanco e Hector, enquanto Garavelo ao volante é acompanhado por Diniz. A camorra parte para a Cidadela das Sombras. Sem escalas e em alta velocidade, levando consigo a incerteza do que o destino lhes reservou...
Continua...
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sábado, 27 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 9

-Deixe-me lembrar, onde estava mesmo? Bem, de posse do pergaminho me despedi do conhecido e parti sem mais delongas, assim como combinara. Confesso que fiquei obcecado com a chance de evoluir e atingir a sétima essência (ápice do conhecimento mágico, sabedoria plena) que na primeira oportunidade invoquei o ritual, na rua mesmo, sem medir as consequências. Pois bem, passou-se dez minutos e eu estava lá, em um beco, nas proximidades do bar que frequento, com os pulsos cortados esperando o efeito acontecer. O feitiço me custou toda a Mana que me restara e ainda um pouco de minha vitalidade. O fato é que, por esses dez minutos a passagem entre o Limbo e a Terra foi aberta e dela passaram cinco demônios os quais, me persuadiram a fazer um pacto, no qual me comprometera a manter o portal aberto por 48 horas, em troca me revelariam segredos arcanos aos quais me confeririam poderes inimagináveis. Aceitei prontamente a oferta, mas não satisfeito com a promessa assegurada pelos demônios, ao primeiro descuido de um deles, apossei-me de um estranho medalhão, que por sinal, ainda estava quebrado. Selamos o pacto cruzando nosso sangue e após o rito estar completado os hereges simplesmente desapareceram, como se nunca estivessem estado ali. Restara-me apenas esperar por dois dias, para me tornar o primeiro mago a alcançar a sétima essência, bastaria unicamente manter aquele maldito portal aberto. No entanto, mal sabia que meus problemas, ali se iniciariam. Ao chegar a meu apartamento, me deparei com uma cena dantesca, minha irmã e eventual hóspede, combalida, prestes a morrer aos braços de um dos demônios, coincidentemente, o mesmo que eu furtara o medalhão. Atônito, em meio ao caos que minha vida se tornara e sem forças pra lutar, supliquei pela vida de minha irmã, disposto a desfazer o pacto que outrora firmara. Mas minhas palavras, se quer foram ouvidas, definitivamente, eu não estava mais em posição de barganhar qualquer coisa. Quis o destino, por ironia talvez, poupar nossas vidas mesmo sem merecermos, digo isso, pois sei que minha irmãzinha teria feito o mesmo em meu lugar. O fato é que, obstante de ter sobrevivido, o orgulho e a vergonha me impediram de pedir ajuda e então decidi tentar concertar as coisas do meu jeito. Uma vez que, os demônios capturaram minha irmã, me coagindo a entregar a localização de todas as capelas místicas da região, não tive outra saída a não ser fornecer a posição de todos os santuários e suas respectivas passagens para o Limbo. Mesmo sabendo que isso causaria a minha expulsão da irmandade e que expunha nossos segredos mais secretos, a uma ameaça abissal. Bem, isso é tudo, eu sinto muito. Fale alguma coisa, por favor, seu silêncio despedaça minha alma...Eu suplico, perdoe-me, por ter traido sua confinça e ter sido tão estúpido a tal ponto, de ameaçar a nossa segurança!
Após escutar a tragédia vivida por seu pupilo, Sombra permanece impávido, até que um leve sorriso sarcástico toma conta do seu rosto, perpetuando um sentimento de frustração e angústia. Tomado pelas circunstâncias, o Mago supremo desabafa:
-Você pensa ter idéia do que desencadeou, mas lamento lhe informar meu caro, você pode ter condenado não somente a nós, mas sim, a toda humanidade, a viver um tempo de trevas profundas. Sabe o que esse seu gesto mesquinho vai lhe custar? Não sabe?
Pergunta Sombra, sem exitar.
-Eu estou disposto a pagar pelos meus atos. Com a vida se for necessário.
Responde Hector.
-Por hora acatará minhas ordens e isso é tudo.
Afirma o Mago Supremo.
-Mas mestre, deixe-me ajudá-lo, talvez se dividíssemos este fardo...
Abruptamente Hector é interrompido por seu mentor, que parece não ter mais paciência, com aquele que outrora fora seu discípulo.
-Parece que ainda não compreendeu não é mesmo Hector? O que está para acontecer está além de mim e você, a partir deste momento seremos apenas peças, em um jogo onde não haverá vencedores. A partir de agora, este mundo que você conhece jamais será o mesmo. Conclui Sombra com a autoridade de quem sabe exatamente o que esta prestes a acontecer.
Continua...
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 8

-Finalmente alguém sensato nesta sala, além de mim.
Comenta o Mago Supremo, interessado em resolver logo o caso.
-Você me surpreendeu mais uma vez, Daniel. Agora peço para que me dêem licença, quero conversar a sós com o Sr. Herrera.
Afirma prontamente o Mago Supremo.
-Vocês ouviram o homem! Andando!
Afirma Daniel Diniz, severamente.
A contra gosto Blanco Ramirez e Garavello saem da sala, juntamente com seu líder, que ao fechar a porta conclui:
-Estaremos na sala de jogos, precisando é só chamar.
-Obrigado mais uma vez, é sempre bom ter amigos com quem a gente possa contar, nesses dias tão conturbados, em que não sabemos quem esta do lado da luz ou da escuridão. Se é que me entendem?
Ironiza o Mago Supremo, olhando fixamente para seu pupilo.
Os membros da Camorra, apenas sorriem entendendo a mensagem de seu superior, magoado com os fatos ocorridos até então.
Após agradecer seus companheiros, Sombra fica frente a frente com seu velho conhecido. Que permanece imóvel recostado ao sofá.
Por alguns instantes, a sala que abriga mentor e discípulo, é tomada por um enorme vazio onde até o mais simples pensamento pode ser ouvido.
Até que Sombra com a voz trêmula, quebra o silêncio desabafando:
-Francamente, eu não esperava isso de você, Hector. Todos os meus ensinamentos, não serviram de nada. Olha o que você era e veja o que se tornou. Um moleque fedendo a leite, que eu transformei num homem. E tudo isso para que? Você jogar tudo fora dessa maneira tão estúpida...
Com os olhos embargados, Hector Trystan Herrera apenas escuta de cabeça baixa, os lamentos de seu mestre, que continua a discursar:
-Logo eu, que investi tudo em você... Quando chegou era um sujeito que não sabia falar, tão pouco se portar, maltrapilho... E agora com toda classe que eu te dei me apunhala dessa forma. Diga-me, quanto te ofereceram os vermes da Colméia? Ou foi um “status” maior que te levou a trair seus ideais? Vamos, levante essa cabeça e fale seu bastardo!
Erguendo Hector pelo colarinho, Sombra exige uma explicação de seu pupilo, que em prantos começa a contar o que ocorrera:
-Tudo começou certa noite, onde conheci um sujeito chamado Pablo Garcia. Ele me contou, entre uma dose e outra de tequila, que havia encontrado um pergaminho de evocação e que estaria interessado em alguém para decifrá-lo. Foi então, que convenci o sujeito, a deixar-me dar uma olhada no tal manuscrito e para minha surpresa deparei-me com algo que jamais suspeitei encontrar em meu caminho, pelo menos não dessa forma. Tratava-se de um sânscrito, ao qual permitia ao invocador romper a passagem do Limbo, permitindo a travessia de uma casta de demônios há muito tempo banida da face da Terra. Não pensei duas vezes, sem exitar propus negócio a Garcia, que para meu espanto parecia querer livrar-se do manuscrito. Sendo assim, impôs uma única condição, de que eu não faria nenhuma pergunta. Mediante a sua proposta, aceitei dar-lhe meu anel armazenador de Mana. Artefato este, adquirido de gerações passadas de minha extinta família, como tu bem sabes.
O Mago supremo apenas balança a cabeça em tom de afirmação, enquanto senta ao sofá deixando seu pupilo em pé, que assim continua a contar a sua descomunal história:
Continua...
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 7

No beco, o grupo de magos tenta amenizar a situação, antes que amanheça...
-Esta feito! Estanquei os ferimentos. Pegue ele Garavello e vamos dar o fora daqui, antes que alguém apareça.
Diz Diniz, enquanto levanta-se e caminha em direção a Blanco.
-Filhos da puta!
Exclama Blanco enraivecido.
-O que você viu?
Pergunta Diniz, colocando sua mão direita sobre o ombro de seu amigo.
-Uma peituda e seu macho deram um jeito nele. Acho que o bonitão esta limpo e não poderemos espancá-lo até a morte. Conclui Blanco, visivelmente frustrado.
-Muita calma nessa hora, meu amigo. Ainda é muito cedo para fazermos uma aposta tão alta, sendo que este azarão esta fora do páreo. Vamos esperar para ver o que vai nos dizer o Sr. Herrera, quando acordar. Completa Garavello, com o corpo do suposto traidor em seus ombros.
Todos seguem rumo à parede de tijolos, onde somem na escuridão assim como apareceram... Sem deixar rastros.
Enquanto isso, neste exato momento, do outro lado da cidade, dentro de uma Cidadela (recinto místico onde os magos se reúnem), dois demônios torturam cruelmente um Mago, em busca de respostas.
-Vou perguntar pela última vez... Onde vocês o esconderam?
-E-Eu já disse que não sei. Por favor, não me mate!
Suplica o Mago esvaindo-se em sangue.
-Não gaste seu vocabulário com este inseto, Diávolo. Eu sondei sua mente, o verme esta falando a verdade.
Afirma um dos demônio, enquanto caminha em direção de seu companheiro, revelando-se das sombras projetadas de uma estátua próxima.
-Vamos embora daqui, já perdemos tempo demais. A lua já se alinhou ao sol e o nosso tempo esta se esgotando. Espero que Nefasta tenha tido uma melhor sorte, pois não tolerarei falhas. Lorde Argail, senhor dos demônios, precisa ser revivido a qualquer custo. Nossa era chegou. A profecia finalmente irá se concretizar...
Conclui o demônio, pondo a mão sobre as costas de seu assecla.
-E quanto a este lacaio, Demon... Devo poupar a sua vida?
Pergunta Diávolo a seu mestre, que com sorriso malévolo em seu rosto, lhe responde:
-Não! Extraia sua Mana e o mate. Será o preço a pagar por ter nos atrasado e posto em risco os nossos planos.
-Que assim seja, meu senhor!
Exclama Diávolo, abocanhando ferozmente a jugular de sua vítima, sugando dela toda energia vital do Mago, que agonizante, já não mais oferece resistência. Com o corpo do Mago sem vida ao chão os demônios partem teletransportando-se rumo ao seu refúgio.
Horas depois...
Quatro homens conversam descontraidamente em uma luxuosa casa na zona sul da cidade, enquanto esperam o seu convidado recobrar a consciência. Subitamente...
-Onde estou? Quem são vocês? Minha cabeça... Alguém anotou a placa daquele caminhão? Vocês podem me explicar como vim parar aqui?
Pergunta Hector Trystan Herrera, ao dar-se conta de onde esta.
-Hora, hora, quem diria, a bela adormecida acordou!
Ironiza Blanco Ramirez, enquanto limpa a sola de suas botas com um canivete.
-Chegou à hora de você responder algumas perguntas e cada vez que o detector de mentiras soar, um dente a menos você terá.
Emenda Garavello, com um largo sorriso estampado em seu rosto.
-Vamos deixar o Sombra falar pessoal, afinal ele é o maior interessado neste assunto.
Conclui Diniz, equilibradamente.
Continua...

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 6

Ainda calado, o gigante verde tenta processar as informações, em seu minúsculo cérebro, enquanto a garota prossegue com sua oratória, deforma eloquente.
-Sabes que não podes me vencer, criatura insignificante. Meu poder esta muito além da sua ignóbil compreensão, seu tolo despresível.
Percebendo que o musculoso ser, não lhe representa perigo, a garota opta em poupar sua vida.
-Partas agora e não sofrerá a ira da colecionadora de almas!
Subitamente, o gigante volta  a si e desabafa ríspidamente:
-Vai pilotar o fogão vadia!
Dito isto, Ogro energiza seu machado e com toda sua ira desfere um único golpe, que ressoa por toda casa na forma de um estrondo, seguido de um intenso brilho ofuscante, que temporariamente cega as vistas do gigante, que berra:
-Meus olhos, hargh! Maldição!
Chama recebe o golpe e permanece inabalável, enquanto o machado de Ogro é esfacelado em diversos pedaços.
-Eu lhe avisei mortal, agora sentirás minha ira.
Afirma a garota firmemente.
O brutal golpe desferido por Ogro é repelido por um campo de força criado por Chama, que agora volta toda sua fúria contra o gigante, lançando uma rajada de energia que atinge certeiramente seu peito, jogando-o de joelhos ao seus pés. Sorrindo ela estende uma das mãos na direção do gigante, que neste momento, exala fumaça de seu corpo e lhe diz:
-Foi um belo ato de coragem, irracional, mas de muita bravura, meu caro. Há séculos que nenhum ser se opusera a minha vontade. Por isso vou lhe dar a honra de me servir, a partir de agora serás meu escravo e seguirá fielmente minhas ordens sem questionamentos.
Com as mãos sobre o corpo de Ogro, ainda grogue, Chama desfere um estrondoso grito sônico, que estilhaça todos os vidros presentes na casa. Em seguida, ela da às costas ao gigante verde e lhe ordena:
-Levanta-te e me segue, servo! Sem exitar o gigante acata a ordem e ambos saem da casa lentamente.
Neste meio tempo, não muito longe dali, no centro da cidade...
Três homens emergem das sombras, vindos de tras de uma parede de tijolos, a qual permanece intacta.
-Eu falei que atalhar pelo Limbo (Mundo Espiritual) não era uma boa idéia, mas vocês insistiram. Ninguém me ouve nesse grupo, não!?
Resmunga Blanco, acendendo um cigarro.
-Quieto, o palpite do Garavello estava certo. Olhe ali no chão!
Comenta Diniz, apontando para um corpo estatelado em meio aos lixos do beco, em que os rapazes se encontram.
-Aprendam uma coisa meus caros, eu estou sempre certo. Além do que, toda essa Mana pairando no ar e esse sangue derramado, não lhes parecem muito estranho?
Pergunta Garavello a seus companheiros.
Os três magos aproximam-se cautelosamente do corpo caído, enquanto ainda tentam entender o que ocorrera naquele local.
-Pessoal, seus batimentos estão muito fracos. Vou fechar esses ferimentos antes que ele morra.
Conclui Diniz, colocando suas mãos sobre o corpo quase sem vida de Hector Trystan Herrera.
-O que não seria nada mal para um traidor, afinal de contas!
Completa Blanco, recentido por seu superior.
-Não tire conclusões precipitadas, Ramirez. Não estamos aqui para julgar e sim recolher esse monte de estrume que o próprio “Sombra” criou. Conclui Garavello.
-Conversa fiada! Vou fazer uma ressonância (magia que permite ao mago vislumbrar o que acontecera no local, até o presente momento) e esfregar na cara de vocês, que esse lacaio não vale “o prato que come”... Aí, não vou querer tapinha nas costas!
Esbraveja Blanco, tirando seu cigarro da boca e jogando-o no chão.
-Faça como bem quiser, meu xapa!
Retruca Garavello, enquanto pilha o mago inconsciente.
Continua...

sábado, 20 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 5

A garota dirige-se para uma estante, onde parece ter encontrado o que procurava. 
-Finalmente nos reencontramos! Realmente é o medalhão mais belo que já vi. Estou farta de ser o capacho dessa família, chegou à hora de pensar um pouquinho em mim. Afinal de contas, uma mão lava a outra, sendo assim, não vejo nenhum mal em me presentear com essa belíssima jóia. Meu irmão que me perdoe, mas essa relíquia não merece estar em outras mãos, a não ser as minhas!
Seduzida pela beleza do medalhão que encontrara, instintivamente a garota adorna seu pescoço com a jóia, que ao ser manuseada brilha fugazmente. 
-É maravilhoso! Contempla a garota deslumbrada, em frente a um espelho ao lado da estante. Subitamente, uma janela temporal (fenda entre espaço e tempo) é aberta e dela surgem dois seres.
-Chegamos gata! Mas que zorra é essa? Ogro e Nefasta materializam-se na casa e o portal é desfeito.
-É hora de dar o fora daqui! Conclui Chama.
Ogro joga sua parceira sobre um sofá próximo e parte em direção ao corpo carbonizado de seu acólito (servo humano), já sem vida dizendo:
-E você seu merda, não serviu nem para cuidar dessa belezura? Mereceu morrer! O gigante chuta o cadáver enquanto faz mão de seu machado, dizendo:
-Vejo que as coisas esquentaram por aqui... A boneca sentiu a minha falta e decidiu sair atraz do papai. É nessas horas gata, que vocês precisam é de um homem de verdade... Mas hoje é seu dia de sorte, vem brincar comigo neném! Dito isso, Ogro lança-se sobre a garota ferozmente.
-Droga, estou fraca demais para lutar. E ainda sem mana, desse jeito não vou ter chance, contra esse grandalhão!
Em um ato de coragem Chama estende seus braços ao ar, cruzando seus punhos em uma tentativa desesperada de defender-se das machadadas desferidas pelo seu oponente.
Ogro desfere dezenas de golpes enquanto brada enfurecido.
-Tome isso, sua vaca! E mais isso... O quê? Ahrg!
Incrivelmente a garota não sofreu nenhum dano, pelo contrário, ao desferir suas machadadas, o gigante verde é arremessado de encontro à parede derrubando-a e caindo na cozinha. Atônita, a garota não entende o que aconteceu.
-Por Hermes, eu era para estar morta! Mas como?
Na cozinha em meio aos escombros...
-Mas que bosta é essa! Aí gostei! Quero denovo!
O gigante se levanta e parte novamente para o ataque. Ao chegar à sala, depara-se com a garota um tanto diferente.
-Querida cheguei! Caralho! O que você está fazendo com o artefato?
Pergunta o brutamontes.
-Hã?! Cale a boca!
Lhe responde a garota, sem perceber que o medalhão começara a tomar conta de seu corpo. Chama levita em direção ao gigante, que parece não acreditar no que vê e conclui:.
-Como assim? Demon não vai gostar nadinha do que esta acontecendo aqui e antes que a casa caia pra mim, melhor por ordem nessa porra, antes que o todo poderoso chegue e arranque minhas entranhas!
-Eu não sei que palhaçada é essa moça, mas veremos se você tem a cabeça dura mesmo, ou eu que estou ficando velho para estas coisas!?
Ao chegar ante ao gigante, Chama está tomada por uma espécie de armadura. Tendo seu corpo envolto por uma aura brilhante e emanando raios de seus olhos. Prostrada em frente a Ogro, ela o indaga com veemência:
-Ouça-me mortal, você quer uma morte rápida e indolor ou padecer até a última gota de sangue sair de seu corpo?
Continua...
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 4

-Agora vou lhes falar o motivo pelo qual estamos reunidos aqui hoje. Há um traidor entre nós!
A afirmação proferida pelo Mago Supremo, é recebida com tamanha surpresa que os integrantes da Camorra, apenas se entreolham e após alguns segundos de silêncio, Blanco Ramirez indaga:
-E quem seria o cadáver?
O Mago Supremo coloca algumas fotos sobre a mesa e comenta sobre o assunto:
-Estas fotos foram tiradas na noite de ontem... E este homem chama-se Hector Trystan Herrera e foi meu braço direito por muito tempo, agora ele esta negociando com os Zangões da Colméia e eu o quero aqui, para que me diga qual o seu preço. Quero que olhe em meus olhos e fale o que o levou a se corromper dessa forma. Sendo assim senhores, esta reunião esta encerrada!
Todos se levantam de seus respectivos lugares e liderados por Daniel Diniz, confortam seu líder.
Diniz: -Dou-lhe a minha palavra de que não mediremos esforços, para trazer-lhe o aqui o mais rápido possível!
Blanco: -Considere feito!
Garavello: -Deixa com a gente patrão!
O Mago Supremo conduz todos até a porta, onde se despede dizendo:
-Boa sorte meus caros, ajam com sabedoria... E não me desapontem novamente, não tolerarei falhas desta vez!
Ambos despedem-se e a Camorra parte ao encontro de Hector Trystan Herrera, o mago arcano que desafiara o código sagrado dos Magi.
Enquanto isso, não muito longe dali...
Uma linda jovem semi-nua, encontra-se amordaçada presa a uma cadeira a mercê de seu sequestrador. Todos a conhecem por Chama, um nome que logo seu algoz tomará o devido conhecimento.
-Vamos lá gata, quero ver o que esconde essa blusa!
Subjugada pelo homem, que sentado em seu colo, rasga sua veste, a garota apenas murmura.
-Humf! Humf! (Gesticulando com a cabeça, de forma negativa).
Ignorando a súplica da garota, o homem continua a boliná-la.
-Hum! Que peito gostoso! Você é um tesão, sabia?
A garota resignada, percebendo que seus murmúrios não serão atendidos, apenas fecha os olhos, enquanto o homem abocanha seu seio...
- Como você é quente gata! Isso ta me deixando louco!
Tomada por uma fúria descomunal, a garota eleva a temperatura de seu corpo, tornando-se uma tocha humana e ateando fogo no homem, que desaba ao chão gritando:
- Nãaaooo! Socorro... O que você fez? Ahrg! Pare com isso! Ahrg! Sua piromaniaca!
Livre das amarras, a garota levanta-se e controla o fogo em seu corpo. Em seguida, apontando para o homem que rola desenfreadamente, ela aplaca suas chamas dizendo:
-Você já sofreu o bastante, seu verme, embora eu ainda ache que você mereça a morte, vou te poupar, pois tenho coisas mais urgentes a fazer.
Estatelado no chão e fumegando, o homem quase sem vida, é poupado pela garota que parece procurar por algo.
- Vamos lá, tem que estar em algum lugar!
Rapidamente a garota vasculha a casa sem sucesso!
- Onde você esta? Mas é claro!
Continua...
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Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 3

Enquanto isso, sedentos por sangue, os Ceifadores percebendo a presença de um novo alvo, rumam ao seu encontro vertiginosamente.
Com o Mago aos seus pés, o enorme ser, dirige suas atenções contra o vórtice, gritando:
-Vocês pegaram Nefasta... Agora eu vou pegar vocês!
Desta feita, o Gigante impunha seu machado de guerra, desatrelando-o das costas e parte ao encontro do vórtice. Ambos se chocam. E após algumas sucessivas investidas, sem sucesso pelos combatentes, finalmente o sangue é derramado... Ogro tem seu abdômen retalhado pelos Ceifadores, que por sua vez, se desfazem ante as diversas machadadas desferidas pelo Gigante. O vórtice é disperso e apoiado sobre seu machado,tomado de sangue, Ogro ressalva:
- Sabia que um machado ceifador de espíritos, que roubei em Azuris, ainda me seria muito útil!
Recobrando suas forças, o gigante cicatriza seus ferimentos e resmunga:
- Humpf! Belo treino que me arrumaram, para as tais arenas, nas Terras Sombrias. Desse jeito vou ser trucidado em praça publica! Agora vou levar essa gostosa devolta e bater um rango, penso nisso mais tarde!
O brutamontes apanha o corpo de sua amiga, colocando-a em seus ombros, em seguida, ergue seu poderoso machado ao ar, girando-o freneticamente até que uma descarga de energia estática atinja-os fazendo ambos sumirem.
Não muito longe dali, em uma casa na zona sul da cidade, quatro homens reúnem-se, em uma conversa formal, para garantir a segurança dos Magis (seita secreta dos magos arcanos).
Prostrados ante a um Mago supremo, cujo todos os presentes, lhe conhecem apenas pela alcunha de Sombra, Blanco Ramirez, Daniel Diniz e Celso Garavello, ouvem atentamente o que seu superior tem a dizer:
-Muito bem senhores, gostaria de iniciar esta reunião falando do ocorrido ao nosso amigo aqui presente, Sr. Blanco Ramirez... É fato que o Sr. Ramires é uma arma engatilhada, prestes a disparar para qualquer lado. É sabido que o Sr. Ramirez tem o pavio curto e fala pelos cotovelos e isso o torna uma bomba relógio. É óbvio que isso iria acontecer cedo ou tarde... Agora, precisava ferir todos aqueles adormecidos (humanos não despertos para a magia), além de matar dois dos meus melhores agentes de campo? Não responda! E como se não desse por satisfeito, torturar o maldito servo da Colméia até a morte, com todos os requintes de crueldade imagináveis! Ora, isso tudo é inaceitável, foram anos de treinamento jogados fora. Em pensar que vocês já foram referência para muitos de nossas fileiras.
Blanco Ramirez apenas sorri, permanecendo calado, somente ouvindo seu superior concluir, o que ele próprio já sabe. Extrapolou mais uma vez, enquanto seu comandante segue com seu discurso inflamado:
-Onde está a sua discrição, seu profissionalismo? Pois não é você aquele que se intitula o “melhor naquilo que faz”? E você Sr. Diniz, líder dessa Camorra (grupo de magos devidamente organizados, com uma missão em comum) onde se encontrara naquele momento? Não acredito que tenha tomado parte neste derramamento de sangue desnecessário.
Diniz tenta argumentar:
-Senhor eu estava...
Mas é interrompido abruptamente por seu superior.
-Sem justificativas meu caro, vocês falharam e ponto final. Quanto a você Garavello, estou cansado de suas gracinhas! Esta foi a última vez que intercedi ao seu favor. Da próxima vez que encher a cara, quebrar todo o estabelecimento em que se encontra e surrupiar o caixa, eu mesmo punirei você! Estamos entendidos?
O silêncio toma conta da sala, possibilitando a todos ouvirem o estalar de dedos, de Daniel Diniz.
Por obséquio senhores, não ajam como se fossem um bando de incompetentes, pois eu sei, que isso vocês não são!
Garavello concorda balançando a cabeça em tom de aprovação.
-Agora meus caros, passamos para o real motivo, pelo qual os convoquei as pressas, para esta reunião.
Continua...
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 2

Enquanto se deleita, ao ver o semblante estarrecido do Mago, a garota prossegue sua fala:
- Manteremos contato. Ah, e no caso destas informações estarem incorretas, você já sabe... Adeusinho para a  insuportável da sua “maninha”!
Após um sorriso malévolo, a garota da às costas para o Mago e segue, rumo a entrada do beco, satisfeita com o desfecho de sua negociação.
-Maldita seja, ser infernal!
Brada Hector, apontando para a jovem, enquanto seu corpo é envolto por uma aura fulgorante e antes que a garota desse seu próximo passo, ele desfere uma rajada de energia, que a atinge, lançando-a contra a parede.
-Tome isso piranha! Sinta a ira de um Mago Arcano!
-Bastardo! Retruca a garota, erguendo seu corpo do chão e abrindo um vasto par de asas negras.
-Não me force a matá-lo, seu tolo! Afirma a demônia.
Sem exitar a garota arremessa uma espécie de lâmina, que ao aproximar-se de Hector, divide-se em outras seis partes...
-O quê? Mas como? Se pergunta o Mago.
Subitamente, Hector é atingido no tórax, braços, pernas e cai. Sangrando muito, o jovem esbraveja:
-Sua demônia, desgraçada! Verá do que sou capaz! Maldita seja! Você feriu muito mais que esse simples corpo... Você feriu meu orgulho e esse foi seu erro!
De joelhos ao chão, e tomado pela ira o Mago libera uma força que talvez nem ele mesmo possa controlar. Força essa que os antigos costumavam chamar de os "Ceifadores Ensandecidos”.
-Mas que droga é essa?
 Pergunta a garota assustada, enquanto ergue-se, assumindo uma posição de resguardo.
-Talvez eu tenha matado a nós dois, mas só de saber que você irá primeiro eu me dou por satisfeito. Conclui o Mago resignado.
Com uma velocidade assombrosa, o vórtice invocado por Hector, choca-se contra a garota, que é envolta pelo “turbilhão de almas”, onde é atacada ferozmente, pelas criaturas enfurecidas.
Bastam alguns segundos, para que o corpo da garota seja expelido do vórtice, quase sem vida... E os “Ceifadores” partirem em busca de uma nova vítima.
-Em nome dos Supremos Sacerdotes eu vos ordeno que aplaquem sua sede de sangue e voltem para as profundezas do Limbo (Mundo Espiritual). Grita Hector, fazendo uso de suas últimas forças.
-Não tão depressa meu chapa!
Repentinamente uma voz ecoa pelo beco, proferida por uma enorme criatura que salta sobre o Mago, impossibilitando o conjuro dos espíritos que ali se encontram.
-O quê? Outro demônio? Eu deveria imaginar que vermes como vocês, sempre andam em bando! Pois vou perguntar uma vez mais, onde esta Carmen? Indaga o Mago.
- Primeiro, deixe me apresentar, já que anteriormente não tivemos essa oportunidade. Chamam-me de Ogro e fui eu quem cuidei de sua maninha. Posso lhe assegurar que ela esteve em ótimas mãos!
Ironiza o gigante verde, trajado de uma armadura completa. Após ouvir o que o estranho ser lhe diz, o mago enfurecido esbraveja :
-Maldito lacaio, farei engolir essas palavras. Nem que para isso eu morra tentando.
Dito isto, Hector parte para cima do colossal ser. No entanto, é surpreendido pela agilidade do indivíduo, que velozmente segura a sua cabeça, erguendo-o do chão e em seguida desferindo um brutal golpe, que o arremessa contra a parede, levando o Mago a inconsciência.
Continua...
evanescence, emy lee ft seether - broken445

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ameaça Abissal, Nos Confins Do Mundo # Tomo 1

Porto Alegre, 15 de Novembro de 2012.
4hs da manhã, horário local.
Uma solitária figura move-se avidamente, dentre o emaranhado de concreto e aço que caracteriza o centro da cidade. Seu nome é Hector Trystan Herrera, Mago Arcano do sétimo grau. O que o traz para as ruas, a esta hora da noite é a procura por respostas, as quais possam alterar seu destino, embora mal saiba ele, que seu destino esta noite, foi selado, marcando o inicio de um nova era, a qual possivelmente não vivencie.
Ao aproximar-se de um beco escuro, ele tem a nítida sensação de que não está mais só. Não deixando intimidar-se, o jovem adentra em meio aos pardieiros que o cercam e impietosamente inicia uma conversa com o silêncio e a escuridão, que permeiam a densa madrugada Porto-alegrense.
-Apareça Nefasta, eu sei que você está aí! Seu cheiro não me engana. Vamos lá, não me faça perder tempo, com seus malditos joguinhos!
Neste exato momento, uma intensa brisa circunda o corpo do Mago, fazendo com que todos os lixos que ali se encontram alcem vôo, afastando-se vertiginosamente de seu corpo.
Em seguida, elevando sua mão direita acima, Hector cria uma pequena chama cintilante e desvenda o que outrora o escuro escondia.
-Com toda essa Mana (energia canalizada, para realizar magias) você só é capaz de fazer isso?
-Francamente... Eu esperava  um pouco mais, de um Mago pertencente à Ordem dos cavaleiros Profanos. Porque demorou tanto para me encontrar? Esta trinta minutos atrasado.
Afirma uma garota em trajes minimos, outrora escondida nas sombras.
-Cale a boca sua piranha, ou eu frito você! O que vocês fizeram com a minha irmã? Onde ela está? Eu quero vê-la imediatamente! Afirma o jovem, visivelmente nervoso.
Seguido de um riso irônico, a mulher afasta-se da parede dizendo:
-Acalme-se meu caro, você faz perguntas de mais. Tudo há seu tempo! Agora vamos tratar de “negócios”. Você trouxe o pen drive?
Aproximando-se da garota Hector lhe diz:
-Esta comigo! Mas esse não era o acordo, a essa altura minha irmã já deveria ter sido liberta. Vocês já estão com o medalhão, afinal o que querem mais que eu faça? Pergunta o jovem mago, para a insinuante mulher, que anda vagarosamente em sua direção.                     
-Engraçado você! Pensou que nos passaria a perna e ficaria tudo bem?
-Esqueceu que a nossa casta de demônios tem uma reputação a zelar e como já lhe foi dito antes, “tudo nessa vida tem seu preço”... Pois, Demon achou que sua ignóbil tentativa, lhe custará um pouco mais caro do que o tratado, uma vez que você descumpriu o contrato. Portanto, passe logo pra cá esse pen drive. Ainda não percebeu que não esta mais no comando da situação, Sr. Hector Trystan Herrera. E que nos daremos as cartas a partir de agora?
Indaga irônicamente a bela mulher, ajeitando seus longos cabelos.
Imediatamente, o Mago fecha a mão e comprimindo a chama, faz o pen drive aparecer por entre seus dedos, para surpresa da garota, que para imediatamente em frente ao Mago.
-Aqui esta. Mas já vou avisando...
Conclui Hector:
-Se algo acontecer a Carmem, eu acabo com sua casta inteira, de uma vez por todas!
A mulher o aplaude e detendo um vasto sorriso, lhe fala:
-Belo truque, mas você não esta em condições de ameaçar ninguém neste momento!
Dito isto, com uma rapidez descomunal a bela garota apodera-se do pen drive, arrancando-o da mão do Mago, em seguida, elogia-o pelo cumprimento de sua árdua tarefa:
-Bom trabalho garoto! Viu como não foi tão difícil assim, trair seus “companheiros de causa”?
Continua...
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Diário de Caça # O Princípio do Fim Cap. 7/7

"A fé é o esforço para acreditar naquilo
que seu bom senso diz que não é verdade."

Já se passaram dois dias, desde o último confronto com a criatura, ao qual, pôs fim a minha família. Visivelmente, o saldo deste embate é negativo... Amargamente, nosso encontro me ocasionou algumas costelas quebradas, além de deixar minha loba com diversas cicatrizes profundas e este enigmático ser híbrido, em um estado de hibernação, devido a seus graves ferimentos sofridos. Notoriamente, me equivoquei em não ter matado a fera quando tive oportunidade, quando ela estava aprisionada naquele cubo de gelo. Pois, ao retornar a clareira, após deixar a garota e a loba, em suposta segurança dentro de minha tenda, não encontrei marcas de rastros ou qualquer evidência do possível paradeiro, da ardilosa criatura, que havia desaparecido, como se nunca estivesse estado ali. Sinto que me envolvi em algo muito maior do que a minha vingança, basta olhar para esta espada cravada ao solo, ao lado desta garota, como se a guarnecesse. Saio de minha tenda para recolher minhas vestes e procurar um pouco de lenha, aproveitando a manhã ensolarada. Afasto-me do acampamento, deixando a mulher, a loba e a espada descansando. Depois de alguns minutos de caminhada, localizo uma boa quantidade de galhos secos, que servirão perfeitamente para que eu faça uma fogueira. Após recolher um bom feixe de lenha, retorno para a tenda na intenção de fazer um café. Ao que me deparo com Sangria correndo velozmente em minha direção. Surpreso, solto imediatamente os galhos que carregava e acolho-a no aconchego de meus braços. A loba aparentemente, parece-me completamente restabelecida. Examinando seu corpo, procuro por seus ferimentos, no enteanto, não os encontro. Sem dúvida, ela foi curada artificialmente. Afago sua cabeça e saio em disparada rumo ao acampamento, a loba por sua vez, me segue a pleno vigor. Rapidamente chegamos a tenda, que já não se faz de pé, bem como algumas árvores ao nosso redor. Uma descomunal desordem se instaurou no local, como se um tornado estivesse passado por ali. Vasculho o ambiente na procura da garota, mas seu corpo não se encontra mais onde eu a deixara, tão pouco sua espada. Receio que é chegada a hora de partirmos. Faço mão de uma mochila, que encontro em meio a balbúrdia e nela coloco alguns pertences e afins. Atrelo a mochila em minhas costas, assovio para a loba e trilho o mesmo caminho que fizera há uma semana. Lado a lado com a loba, sigo em frente sem olhar para trás, certo de que um dia ainda nos reencontraremos... Pois minha missão ainda não esta cumprida.
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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Diário de Caça # O Princípio do Fim Cap. 6/7

"Triste será aquele que vive na escuridão
e não tem coragem de continuar a caminhar."

Por alguns breves segundos, percebo a minha vida passar diante meus olhos. Lembranças e sentimentos, que se misturam em um vagalhão de emoções contraditórias. Afugento meus temores, enquanto abro lentamente minhas pálpebras, passando assim, da escuridão para luz... O golpe mortal desferido pela criatura é bloqueado no exato instante, em que me acertaria. Intempestivamente, um ar gelado toma conta do local. Posso sentir o frio penetrando em meu corpo molhado e expelindo seu vapor por entre meus poros. Rapidamente olho para a criatura, na tentativa de compreender o que acontecera. Ela parece estar petrificada, inerte como uma estátua. Em seu braço hasteado, ao qual, empunha a espada, percebo uma espessa camada de gelo, que percorre da extremidade da lâmina até seus pés. Enquanto observo atônito, meu inimigo congelado, sinto o chão estremecer a minhas costas. Intrigado, viro-me, me deparando com uma cena absurda, até mesmo para os meus conceitos... Um gigantesco dragão negro, de asas abertas, pousado diante de mim. A criatura mitológica me paraliza ante sua beleza. Preciso correr, no entanto, minhas pernas não me obedecem. Estarrecido, permaneço inócuo, apenas observando a criatura assombrosa, aproximar-se de mim. Me ajoelho, reverenciando, na ignóbil esperança de que poupe minha vida. Eis que, por ironia do destino, o dragão vai metamorfoseando-se e por fim, se transforma na garota que outrora havia salvado das garras das feras. Ela cai em meus braços, exausta, ao passo em que a espada que meu inimigo detinha em sua posse, rompe seu invólucro de gelo e crava ao chão. Ofegante, a garota estende a sua mão e como um imã atrai a lâmina para si. Levanto-me, erguendo a garota que se apoia em meus braços. Sem mencionar uma só palavra, ela embanha a espada em suas costas, se desprendendo de meus braços recuando lentamente. No entanto, bastam apenas alguns passos até que ela desabe ao solo. Cuidadosamente, a tomo em meus braços e sigo andando até minha loba, que apenas me olha aflita. Retiro-a do chão, com uma das mão que ainda tenho livre e parto do campo de batalha, para o meu acampamento.
Continua...
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Diário de Caça # O Princípio do Fim Cap. 5/7

"Os animais selvagens nunca matam por divertimento.
O homem é a única criatura para quem a tortura e a morte
de seus semelhantes são divertidas por si."

Corro desenfreadamente pela mata, na esperança de encontrar minha leal companheira a salvo. Sou castigado pela forte chuva, que dificulta ainda mais a minha visibilidade, após o crepúsculo. Ao clarão dos raios, que cintilam sobre minha cabeça, sou conduzido a um rastro de sangue que se estende pelos arbustos a minha frente. Continuo me embrenhando na floresta, até avistar uma clareira. Me aproximo desta abertura na mata e contemplo minha loba agonizando, aos pés de uma descomunal criatura. Imediatamente puxo o gatilho de minhas pistolas, descarregando-as. Ao todo são vinte e seis disparos, que alvejam certeiramente o meu alvo, que de costas para mim, não tem nenhuma chance de se defender. Para minha total surpresa, a fumegante criatura, ignora os meus disparos e mesmo ferida apenas me entreolha, virando-se sem tirar seus olhos dos meus. Dotada de uma agilidade colossal, apesar de seus dois metros de envergadura e peso considerável, ela salta prostrando-se a minha frente. Pressinto o meu fim... Esta criatura não é como as outras. Sua pelagem acinzentada, bem como suas presas protuberantes denotam uma linhagem distinta, diferente das outras feras que abati. Faço menção de pegar minha faca de caça, que se encontra acoplada a meu peito, no entanto, antes mesmo que eu possa fazê-lo, sou golpeado pela criatura, que ao me desferir uma garrada, arremessa-me a uns dez metros de distância. Me estabaco ao chão e ainda grogue pela pancada, sinto algumas costelas quebradas. Preciso me levantar, ignorar a dor... A criatura anda vagarosamente em minha direção, demonstrando não ter pressa em acabar com o combate. Me aproveito de sua prepotência para pegar uma granada de mão e arremessar contra o maldito ser. Em um arremesso certeiro, lanço o projétil aos seus pés. E em uma fração de segundos, a granada explode, acertando a besta em cheio. Após a explosão ergue-se uma espessa camada de poeira, que toma conta do local. Me levanto com extrema dificuldade, cambaleando vou ao encontro de Sangria. Inesperadamente, emergindo de dentro da cortina de fumaça, me deparo com a criatura retalhada, ainda de pé. Ela por sua vez, urra ferozmente ao me ver... Fico estagnado, diante do inesperado. O ser infernal coloca uma de suas mãos as costas e de suas entranhas retira uma colossal espada. Mal posso acreditar no que vejo. A criatura avança a passos largos, vindo ao meu encontro. Permaneço imóvel, apenas escutando o barulho da chuva, que encharca o meu trêmulo corpo. A esta altura, estou plenamente resignado de minha insignificância. Sinto a lâmina empunhada pela fera, deslizar ao vento... Rispidamente a criatura desfere seu brutal golpe, aquele que certamente selará a minha existência.
Continua...
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Diário de Caça # O Princípio do Fim Cap. 4/7

"O importante não é aquilo que fazem de nós,
mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós."
O bramido estridente da criatura rompe a mata, afugentando os animais que nela se encontram. Posso ouvir ao longe, uma revoada de pássaros, que batem suas asas na procura de segurança. As folhas secas ao chão, denunciam que algo se move furtivamente ao nosso redor. Sangria rosna vorazmente, não se mostrando intimidada com o que quer que esteja nos espreitando. Fico lado a lado com a loba, tentando demonstrar tranquilidade, no momento em que se inicia um vento rompante, precedido por um trovão. Logo seremos acometidos por uma tempestade de verão. De dentro da tenda posso escutar gemidos, a garota deve estar delirando. Repentinamente, Sangria arranca em disparada para dentro da mata. Permaneço estático, apenas observando sua corrida fugaz. Não há tempo para mais nada, seria perca de tempo tentar conter seus impulsos... Me enraivesso e a plenos pulmões brado enfurecido, batendo em meu peito:
- Venhão a mim, vermes malditos!
Entretanto, sou calado pela chuva, que cai torrencialmente. Mal ouso dar alguns passos para frente, quando sou atacado por duas criaturas que saltam em minha direção. Faço uso de meus reflexos, me esquivando e disparando incessantemente, até acabar a minha munição. Meus disparos alvejam as criaturas na cabeça, pescoço e tórax. Rapidamente me disfaço da metralhadora, para sacar minhas pistolas, enquanto observo as criaturas tocarem o solo. Avidamente a pelugem azul escura das criaturas, é tingida pelo sangue expelido pelos ferimentos causados por minha arma. Me aproximo dos corpos já sem vida destas feras, para constatar que o nitrato de prata contido no interior de minhas balas, fez seu efeito. Prossigo em minha jornada, caminhando além das árvores, que permeiam meu acampamento. Logo adiante, encontro mais uma das feras abatida. Visivelmente sua garganta fora dilacerada, certamente por minha loba, asim presumo... Me agaixo junto a criatura, enquanto encaixo dois novos pentes a minhas armas. Sigo observando atentamente, o rastro que Sangria deixou ao penetrar na mata cerrada. Me levanto cautelosamente, sertificando-me que não estou sendo seguido, para então, continuar a seu encalço. Penso que a essa altura, o bando enconta-se enfraquecido e que talvez o cheiro de morte, afugente o restante da matilha. Em meio a um pensamento e outro, não distante dali, encontro uma nova criatura que teve sua vida ceifada... Percebo que desta vez o estrago foi maior, a visivel quantidade abundante de sangue derramado pelo confronto, não condiz com os ferimentos no corpo da fera. Não há duvida, minha loba está gravemente ferida. Deste modo, me apresso para que a chuva não apague suas impressões e eu consiga lhe encontrar, o mais depressa possível. Prossigo em minha jornada árdua e traiçoeira, poís o terreno molhado pela chuva, se tornou realmente perigoso, ao passo que, um simples descuido neste momento, pode vir a ser fatal.
Continua...
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Diário de Caça # O Princípio do Fim Cap. 3/7


"O medo não é sinal de covardia.
É ele que nos dá a possibilidade de agir com bravura
e dignidade diante das situações da vida.
Quem sente medo e apesar disso segue adiante,
sem deixar se intimidar, esta dando uma prova de valentia.
Portanto, a bravura provém do sangue,
mas a coragem provém dos pensamentos."

Avidamente avanço mata adentro, deixando para trás o casebre que servia de covil para as criaturas.
Estou ciente de que em breve estarão em meu encalço e que a garota que carrego será um enorme fardo, quando estes malditos me encontrarem. Aperto o passo, o tempo se faz precioso neste instante...
Em meio as árvores, avisto minha tenda. Sei que não é seguro ficar acampado neste momento, entretanto é lá que esta a única chance de salvar a menina. Na chegada sou recepcionado por Sangria, minha fiel loba caçadora. Ela me circunda, me fareja e volta para sua posição de guarda.
Entro na tenda. Cuidadosamente acomodo a garota. Verifico uma vez mais seus batimentos, seu corpo arde em febre. Uso os meus primeiros socorros para limpar seus ferimentos e dou a ela uma de minhas soluções de ervas curativas. Com um pouco de sorte a jovem sairá desta com vida. Após trata-la, cubro-a e me recosto ao seu lado. Fecho os olhos e tento organizar os meus pensamentos... E se ela for um deles? E se forem um bando numeroso? E se o sangue, as velas e o espelho, fizerem parte se um ritual?
Subitamente, meus devaneios são interrompidos pelo rosnado de alerta de Sangria.
Faço mão de minha sub-metralhadora e saio da tenda. Do lado de fora, me deparo com a loba inquieta, olhando fixa para a mata. Sem perder tempo acendo os candeeiros instalados em torno da tenda. Não tenho dúvidas, eles chegaram... Sangria se posta a eriçar-se seu pelo, pressintindo a eminente batalha que esta para se iniciar. Destravo a minha arma e então corro para cobrir a destemida loba, no fatídico momento em que sou atordoado por um uivo ensurdecedor.
Continua...
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