- Agora, Flecha adivinhe quem ela é. Você também Farid. Se vocês acertarem, eu pago esta rodada e as outras cinco próximas... Esta é uma noite para ser celebrada!Feliz por poder tirar seu pensamento da história sinistra de Dante, a elfa olhou para a garota sorridente. Cabelos vermelhos encaracolados a volta do rosto, cobriam parte dos seus olhos verdes e havia algumas sardas espalhadas por seu nariz e bochechas. Embora sua fisionomia não lhe parecesse estranha, a elfa não reconhecera a bela moça.
- Eu desisto! Para nos elfos, os humanos parecem mudar tão rapidamente que a gente se perde. Eu tenho 102 anos, e para você não pareço ter mais de trinta. E para mim, esses cem anos parecem trinta. Esta jovem devia ser uma garota quando nos partimos.
- Eu tinha catorze. Disse a garota colocando a bandeja na mesa.
- Montante costumava dizer que eu era tão feia que meu pai teria que pagar alguém para se casar comigo. Complementou a garota sorrindo, enquanto distribuía uma á uma, as canecas a mesa com a extrema perícia de quem já fizera aquilo por inúmeras vezes.
- Mirlla! Gritou Farid, batendo o punho a mesa.
- Você paga, seu grande idiota. Tagarelou o anão.
- Não é justo, ela te deu uma dica! Reclamou o gigante sorrindo.
- Bem, os anos provaram que ele estava errado, viajei por vários lugares e confesso, você é uma das garotas mais belas que já vi. Disse Flecha, sedutoramente.
Mirlla enrubesceu envaidecida. Depois sua face ficou seria...
- A propósito, Flecha, isto chegou para você hoje. Em circunstâncias estranhas...
Flecha franziu a testa e pegou o objeto. Era uma pequena caixa para pergaminho feita de uma madeira negra altamente polida. A elfa removeu vagarosamente um pequeno pedaço de pergaminho e o desenrolou. Seu coração batia, aceleradamente quando ela reconheceu a caligrafia tremula e grossa.
- É de Misty! Disse a elfa finalmente, sabendo que sua voz havia soado tensa e não natural como de costume. Dificilmente se via a elfa perder a linha.
- E o que ela diz? Perguntou o anão, colocando sua caneca de vinho a mesa.
- Ela não vem! Afirmou Flecha em um tom sóbrio, enquanto olhava para seus amigos.
Houve um momento de silêncio, em que cada um dos presentes remeteu-se ao passado e por alguns segundos tudo que viveram juntos, passou diante seus olhos.
- Acabou-se! O círculo foi rompido, o juramento quebrado. Isso é má sorte... Pelos deuses, juro que isto é má sorte. Afirmou Farid balançando a cabeça, enquanto derrubava sua caneca de vinho pela mesa, atraindo atenção de todos ao seu redor.
- Que os deuses dos sortilégios tenham piedade de nos! Completou Garth “Mãos ligeiras”, segurando firmemente um de seus incontáveis patuás. Um colar perolado, ungido em um óleo feito de ervas silvestres aromáticas.
- Não se deixem impressionar pelas circunstâncias, meus bravos amigos. Seja o que for que o destino nos tenha reservado, ainda a tempo para ser mudado. Afirmou Dante lugubremente, fechando seus olhos e permitindo a seus companheiros vislumbrarem apenas a escuridão. No entanto, seus olhos cerrados não foram capazes de conter uma única lágrima que escorrera furtivamente por seu rosto metálico se estatelando ao chão.
Novamente o ar se tornou pesado... E baderna que ecoava pelo Barril de Cedro, não se era mais ouvida. Como se aquela mesa estivesse bloqueada por uma barreira mística.
Subitamente, tudo a volta dos guerreiros se estagnou, tornando o tempo inerte a partir daquele instante. Em seguida, ao passo de uma fração de segundos, todos dentro da estalagem permaneceram empedernidos, exceto Dante, Montante, Farid, Flecha, Garth e Mirlla. A partir daquele momento, a profecia se cumpria e o mago sabia exatamente o que isto significava... Suas vidas estavam prestes a desfalecerem. E este era o sinal de que seu mentor tanto lhe falava... Ali se iniciara o inevitável principio do fim.
Continua...
Xandria - India - Black and Silver




