Mote...

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Seja bem vindo, aonde o imaginário se torna real... Altere aqui a sua percepção da realidade...

domingo, 1 de abril de 2012

Sangue Vertido - Post II

Tratava-se, de um casebre de três peças, onde se instalaram, respectivamente permanecendo inócuos, até o presente momento... - Me dê a posição exata de nossas presas, Bate-estacas!
Afirma o homen de meia idade, a seu jovem companheiro. Enquanto, abastece de munição suas pistolas.
- As presas continuam se alimentando, reverendo...
Responde o musculoso ébano, que sentado em uma cama, do aposento, observa atentamente com seu binóculo infravermelho, atravéz de uma das janelas do quarto.
- Malditos, que estas sejam as suas ultimas refeições!
Brada Caçador, guardando em seus coldres suas pistolas e fazendo mão de um pequeno livro que deixara em cima da mesa.
- Localize a Lâmina.
- Chegou à hora de fazermos à vontade de Deus...
Acatando a ordem de seu experiente líder, imediatamente
Bate-Estacas tenta entrar em contato com Lâmina...
- Cão raivoso, para Águia...
- Na escuta Águia, responda...
De seu comunicador, Bate-Estacas tenta sem sucesso, conectar-se por diversas vezes, com sua companheira.
- Cão raivoso, para Águia...
- Bata asas e volte para o ninho...
Injuriado, Bate-Estacas reporta sua falha tentativa, a seu severo comandante, que de costas para cama, não percebe o sorriso irônico nos lábios de seu pupilo.
- Contato não estabelecido, reverendo.
- Tudo indica que o comunicador dela, esta inativo.
Afirma Bate-Estacas, com plena convicção.
- Garota insolente.
- Parece fazer questão de desobedecer minhas ordens.
- Vamos prosseguir sem ela, temos uma missão a cumprir e o tempo corre contra nosso favor. Depois conversaremos a respeito do acontecido e decidiremos sua punição.
Enfatiza Caçador, em um tom sóbrio, enquanto veste seu sobretudo acinzentado, que o acompanha de longa data.
- Que seja feita sua vontade, reverendo.
- Com sua benção...
Diz  Bate-Estacas, atrelando seu binóculo ao pescoço, em seguida fazendo o sinal da cruz e partindo em direção da cozinha.
- O que vai fazer garoto?
- Não podemos perder nem mais um minuto aqui dentro!
Exclama Caçador, caminhado em direção a porta de saída.
- Acalme-se reverendo, só fui buscar meu brinquedinho.
Responde Bate-Estacas, de posse de seu martelo de batalha.
Devidamente equipados, ambos saem do recinto e ganham as ruas penumbrósas de El Paradiso. Enquanto isso, a metros dali...
Continua...

sábado, 24 de março de 2012

Sangue Vertido - Post I

“Quinze luas depois da morte, a trindade se levantara contra os nefastos, subira os altares e um coro de setecentos demônios entoara uma nova canção sobre o pântano de sangue... E quando o estábulo estiver cheio de cavalos, serão abertas as portas e então, as criaturas sombrias saciaram sua sede de sangue. Isso acontecerá na época do sol... Para a cruz haverá blasfêmia e chegará o dia em que não bastará a terra para sepultar os mortos, que já não ficam a sete palmos do chão... Não passará muita água sob as pontes, antes que a noiva se desencadeie em uma briga furiosa. A cruz será jogada no porão e martelos golpearão os altares e chamas devorarão as igrejas. Assim começará a caça à serpente, das serpentes”...

Deserto de El Paradiso, Novo México

15 de Novembro, 2011 (22h45min; hora local)
Uma enorme lua resplandece no céu, trazendo consigo um forte vento cálido, que por sua vez, faz com que uma vasta e espessa camada de poeira se erga ao ar. Como de costume, é mais uma noite tórrida na província de   El Paradiso. As estiagens que persistem desde a grande tempestade, assolam e assombram, esta terra castigando todo e qualquer ser vivo, que por uma questão de sobrevivência, faz deste árido solo, seu lar.
A muito, o sol deu as costas para o vilarejo, amenizando um pouco o intenso calor que fizera durante o dia, onde todos os moradores aguardam ansiosos o merecido descanso em seu lar, pois é chegado o momento, em que um a um, os geradores que permeiam El paradiso, vão sendo ligados... E dentre alguns instantes, uma precária iluminação se fará presente nas centenas casas de pau-a-pique, que dão abrigo a este aguerrido povoado agrícola.Também conhecido como “Camponeses do deserto”.
Situada a quilômetros de distância de sua capital, este povoado tornou-se um lugar esquecido por suas autoridades. Tão somente, de tempos em tempos, em épocas eleitorais, vislumbrando a oportunidade de angariar votos junto ao povo, figurões levam suas comitivas, carregadas de roupas, mantimentos, especiarias e algumas cabeças de gado, a fim de ofertá-las, em troca de um oportuno comprometimento partidário... Pois, o dia de hoje em El Paradiso, iniciou-se assim, atípico... Quando tudo levava a crer que seria mais uma rotineira manhã escaldante, eis que, uma dessas comitivas instalou-se na cidade. Tratava- se de apenas um furgão, mas municiado de  roupas e muita comida. O suficiete para mobilizar a população de tal forma, que era notória a satisfação, naqueles sofridos semblantes. E para um espanto ainda maior daquela comunidade, quando acometidos por um silêncio abissal, resignaram-se a apenas a ouvir a palavra de Deus, proferida pelos inusitados visitantes, em troca de seus benefícios, ao invés daquele tradicional discurso inflamado, repleto de promessas colossais e incertezas, as quais este sofrido povo estava cansado de ouvir, por vezes e vezes...
Regido por um homem de meia idade, cabelos longos e loiros, devidamente amarrados, de barba completa e de voz articulada, o ato se iniciou em praça pública. O orador estava acompanhado por uma atraente mulher, de pele morena, olhos esverdeados, de cabelos negros e curtos. Adjunto de um jovem espadaúdo, de cor negra, cabeça raspada e um comprido cavanhaque, dotado de um porte atlético de se fazer inveja. Estes três forasteiros, fizeram um circulo, entrelaçando suas mãos e após algumas palavras confortantes e uma breve oração, decidiram fazer a devida distribuição dos alimentos e afins, a todos que ali se encontravam. Em seguida o grupo, seguiu para a única estalagem do vilarejo, para por fim, descansarem da longa viagem.
Continua...
killswitch engage - as daylight dies

quinta-feira, 22 de março de 2012

Projeto Guardiões

Histórico: No início dos anos 90, foi criado pela Igreja Católica um grupo de seres com “dons especiais”, denominados Guardiões. Este grupo visava garantir a segurança do povo cristão, combatendo e exterminando toda e qualquer ameaça sobrenatural, que pudera se opor a humanidade. Treinados a exaustão os Guardiões, desde então, tornaram-se uma força imprescindível nos dias de hoje, visto que, a cada instante que passa uma pessoa é corrompida pelas “forças sombrias”, desequilibrando assim a balança entre o bem e o mal.

Membros:
• John Washburn (Caçador)
Líder dos Guardiões e membro mais velho do grupo, Reverendo Burn como é chamado por seus seguidores, largou a batina assim que sua irmã foi raptada em meados de 2005, supostamente por uma “criatura das sombras”, afirma o próprio que desde então passou a caçá-la (a criatura) incessantemente na tentativa de reaver a sua irmã, que acredita ainda estar viva. Burn possui o dom de regenerar todo e qualquer ferimento, bem como restituir partes perdidas de seu corpo.
Natureza: Juiz
Comportamento: Autoritário
Conceito: Arrogante

• Sarah Fergson (Lâmina)
Abandonada quando pequena pela família, por ser uma criança “diferente” das outras, devido as suas habilidades especiais, Sarah foi criada pelos catolicistas, onde doutrinou seu corpo e mente tornando-se uma perfeita máquina de fazer justiça. Sarah possui o dom da telecinese e agora faz parte dos Guardiões, tendo em seus companheiros seu novo lar.
Natureza: Cruel
Comportamento: Fria
Conceito: Inconseqüente


· Diego Canavarro (Bate-Estacas)
Acometido pela perda total de sua memória, após um grave acidente ao qual foi o único sobrevivente (devido ao seu dom) Diego foi acolhido por seus irmãos na fé, onde lentamente reestruturou sua vida e controlou seu poder latente, a invulnerabilidade. Se sentindo em divida com a “Instituição”, tomou parte nos Guardiões, jurando defender com sua própria vida a causa, ao qual faz parte desde então.
Natureza: Invejoso
Comportamento: Esperto
Conceito: Comediante

domingo, 18 de março de 2012

Terras Sombrias Cap. 3 – Velhos Desatinos, Doces Devaneios (Post II)

- Gládio! Disse Flecha calorosamente, virando-se para a porta, antes de chegar ao seu etinerario. O velhote que agora aquecera suas enrugadas mãos nas fogosas labaredas.
Todos, com exceção de Dante, se viraram. O mago recolheu-se uma vez mais para as sombras, tornando-se invisível num raio de dez metros.
Em pé na porta, havia uma silhueta ereta de costas, vestindo uma armadura completa e cota de malha, com o símbolo da Ordem dos Cavaleiros Templários no peitoral de aço. Muitas pessoas na hospedaria se viraram para olhar, franzindo as testas. Os Cavaleiros Templários tinham adquirido uma má reputação no norte. Boatos da corrupção deles tinham chegado até mesmo aqui ao sul. Os poucos que reconheceram Gládio como um antigo morador do vale, deram de ombros e voltaram para suas bebidas. Aqueles que não o reconheceram continuaram a observar. Nestes dias de paz, era incomum ver um cavaleiro vestindo uma armadura completa entrar na hospedaria. Mas era ainda mais incomum ver um cavaleiro vestindo uma armadura completa que datava, praticamente, da época do Cataclismo, também conhecida como Era sombria. Gládio recebeu os olhares como saudações por seu posto. Ele alisou cuidadosamente seu grande e espesso bigode, que por ser um símbolo dos cavaleiros dos velhos tempos, era tão obsoleto como sua armadura. Embora as pessoas na hospedaria não tirassem os olhos dele, ninguém, depois de dar uma olhada nos olhos frios e calmos do cavaleiro, ousou debochar ou fazer um comentário de menosprezo. O cavaleiro manteve a porta aberta para um homem calvo e uma mulher coberta de peles de animais. A mulher deve ter dito uma palavra de agradecimento a Gládio, pois ele se curvou diante dela de uma maneira cortês, um velho costume totalmente fora de moda no mundo moderno.
- Olha isso, o galante cavaleiro ajuda a dama. Onde será que ele arranjou aqueles dois? Questionou Montante balançando a cabeça admirado.
- Eles são bárbaros das planícies, conheço de longe esse cheiro. Disse Garth, de pé em uma cadeira, acenando com a mão para seu amigo, que não vê de longa data.
Aparentemente o casal da planície recusou alguma oferta que Gládio lhes fez, pois, o cavaleiro se curvou novamente e os deixou. Ele cruzou a hospedaria com um ar nobre e orgulhoso, igual ao que ele deve ter usado quando caminhou na direção do Rei Haron III, quando foi sagrado cavaleiro.
- Ora, ora, quem eu vejo por aqui... Se os meus velhos olhos não me enganam, seria
o meu Duende favorito? Disse sorridente Gládio, ao passar por Flecha, ignorando-a.
- É você mesmo pequenino? Perguntou Gládio, com um ar desconfiado?
-Sim, sou eu mesmo, velho amigo. Em carne, truques e ossos! Respondeu Garth, enquanto saltava para cima do nobre cavaleiro. Gládio imediatamente estendeu seus braços e aparou o impetuoso Leprechal, acomodando-o em seu colo. Todos que presenciaram aquela atípica cena, gargalharam, exceto Flecha, que sem exitar, deu as costas e seguiu a passos largos em direção ao ancião. Aparentemente seus atritos do passado, ainda não puderam ser superados. Subitamente, ao chegar junto ao velho,
antes que a elfa pudesse proferir qualquer palavra ele a indagou:
- Eu sabia que você viria. Mas por que demorou tanto? Não importa, vamos sair daqui.
E como num passe de mágica, ambos sumiram da estalagem, num piscar de olhos.
Continua...
medieval - Medieval 2

domingo, 11 de março de 2012

Terras Sombrias Cap. 3 – Velhos Desatinos, Doces Devaneios (Post I)

Dante uma vez mais, inclinou-se para frente, de um modo em que todos pudessem percebê-lo. Ele e Montante olharam um para o outro enquanto pensamentos sem palavras eram trocados entre eles, como quando crianças. Foi um momento raro, pois somente grandes perigos ou dificuldades pessoais tornavam aparente o parentesco desses irmãos. Misty era meia-irmã mais velha de Dante e Montante, o que não impedia o estreito laço do mais profundo carinho por ambos.
- Misty não quebraria o seu juramento a menos que outro juramento mais forte a impedisse. Pensou alto Dante.
- Mas exatamente, o que ela diz? Perguntou Montante.
Flecha hesitou, depois passou a língua nos lábios secos e falou:
- Suas obrigações com seu novo senhor a mantém ocupada. Ela pede desculpas e manda seus melhores votos para todos nos e seu amor.
A elfa sentiu a garganta se contrair, então tossiu, para em seguida continuar a leitura.
- O amor eterno para seus irmãos e para...
Flecha fez uma pausa depois enrolou o pergaminho, interrompendo abruptamente o texto que dissertava para seus amigos.
- Amor para quem? Perguntou Garth inocentemente.
- Ai! Gritou o duende, olhando para o anão que tinha pisado em seu pé.
O leprechal viu Flecha ficar vermelha.
- Vocês sabem o que ela quer dizer? De que novo senhor ela esta falando? Perguntou Flecha para os irmãos, que a essa altura pareciam resignados.
- E quem é que sabe de Misty? Perguntou Dante encolhendo seus ombros estreitos e tornando a falar enquanto seu irmão apenas o observava.
- A última vez que a vimos foi aqui mesmo, no barril, dez anos atrás. Ela estava indo para o deserto de Nasgarth. Não ouvimos falar mais dela desde então. Com relação ao novo senhor, eu diria que agora nos sabemos por que ela quebrou seu juramento conosco: - Ela jurou aliança a outro. O que já era de se esperar, afinal de contas, ela é uma mercenária e morrerá sendo uma. Isto esta no seu sangue e é o que rege a sua vida, a essa altura certamente nos estamos em segundo plano.
- Certamente. Admitiu Flecha balançando a cabeça.
Ela colocou o pergaminho de volta em sua caixa e olhando para Mirlla perguntou:
- Você disse que isto chegou em circunstancias estranhas? Conte-me.
- Um homem o trouxe no fim da manhã. Pelo menos, eu acho que era um homem. Ele estava enrolado dos pés a cabeça em um manto esfarrapado. Eu não conseguia nem ver o rosto dele. Sua voz era rouca e ele falou com um sotaque estranho... “Entregue isto a arqueira elfa Flecha”. Eu lhe disse que você não estava aqui e não havia estado a vários anos. “Ela vai estar”, o homem disse. Depois ele partiu. Isso é tudo que posso lhe dizer, no entanto aquele velho ali o viu... Disse Mirlla apontando para um velho que estava sentado imóvel em frente ao fogo.
- Você poderia perguntar-lhe se ele notou algo mais. Completou Mirlla.
Flecha virou-se para olhar para o velho que olhava fixamente para as chamas. Farid tocou o braço de Flecha dizendo:
- Eis alguém que pode lhe dizer mais, minha amiga.
A elfa rumou em direção ao velho, ao passo em que o tempo voltou a seu curso normal.
Continua...
Xandria - India - Black and Silver

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 2 - Crepúsculo Lacrimal (Post V)

Montante sorriu e disse: - Agora, Flecha adivinhe quem ela é. Você também Farid. Se vocês acertarem, eu pago esta rodada e as outras cinco próximas... Esta é uma noite para ser celebrada!
Feliz por poder tirar seu pensamento da história sinistra de Dante, a elfa olhou para a garota sorridente. Cabelos vermelhos encaracolados a volta do rosto, cobriam parte dos seus olhos verdes e havia algumas sardas espalhadas por seu nariz e bochechas. Embora sua fisionomia não lhe parecesse estranha, a elfa não reconhecera a bela moça.
- Eu desisto! Para nos elfos, os humanos parecem mudar tão rapidamente que a gente se perde. Eu tenho 102 anos, e para você não pareço ter mais de trinta. E para mim, esses cem anos parecem trinta. Esta jovem devia ser uma garota quando nos partimos.
- Eu tinha catorze. Disse a garota colocando a bandeja na mesa.
- Montante costumava dizer que eu era tão feia que meu pai teria que pagar alguém para se casar comigo. Complementou a garota sorrindo, enquanto distribuía uma á uma, as canecas a mesa com a extrema perícia de quem já fizera aquilo por inúmeras vezes.
- Mirlla! Gritou Farid, batendo o punho a mesa.
- Você paga, seu grande idiota. Tagarelou o anão.
- Não é justo, ela te deu uma dica! Reclamou o gigante sorrindo.
- Bem, os anos provaram que ele estava errado, viajei por vários lugares e confesso, você é uma das garotas mais belas que já vi. Disse Flecha, sedutoramente.
Mirlla enrubesceu envaidecida. Depois sua face ficou seria...
- A propósito, Flecha, isto chegou para você hoje. Em circunstâncias estranhas...
Flecha franziu a testa e pegou o objeto. Era uma pequena caixa para pergaminho feita de uma madeira negra altamente polida. A elfa removeu vagarosamente um pequeno pedaço de pergaminho e o desenrolou. Seu coração batia, aceleradamente quando ela reconheceu a caligrafia tremula e grossa.
- É de Misty! Disse a elfa finalmente, sabendo que sua voz havia soado tensa e não natural como de costume. Dificilmente se via a elfa perder a linha.
- E o que ela diz? Perguntou o anão, colocando sua caneca de vinho a mesa.
- Ela não vem! Afirmou Flecha em um tom sóbrio, enquanto olhava para seus amigos.
Houve um momento de silêncio, em que cada um dos presentes remeteu-se ao passado e por alguns segundos tudo que viveram juntos, passou diante seus olhos.
- Acabou-se! O círculo foi rompido, o juramento quebrado. Isso é má sorte... Pelos deuses, juro que isto é má sorte. Afirmou Farid balançando a cabeça, enquanto derrubava sua caneca de vinho pela mesa, atraindo atenção de todos ao seu redor.
- Que os deuses dos sortilégios tenham piedade de nos! Completou Garth “Mãos ligeiras”, segurando firmemente um de seus incontáveis patuás. Um colar perolado, ungido em um óleo feito de ervas silvestres aromáticas.
- Não se deixem impressionar pelas circunstâncias, meus bravos amigos. Seja o que for que o destino nos tenha reservado, ainda a tempo para ser mudado. Afirmou Dante lugubremente, fechando seus olhos e permitindo a seus companheiros vislumbrarem apenas a escuridão. No entanto, seus olhos cerrados não foram capazes de conter uma única lágrima que escorrera furtivamente por seu rosto metálico se estatelando ao chão.
Novamente o ar se tornou pesado... E baderna que ecoava pelo Barril de Cedro, não se era mais ouvida. Como se aquela mesa estivesse bloqueada por uma barreira mística.
Subitamente, tudo a volta dos guerreiros se estagnou, tornando o tempo inerte a partir daquele instante. Em seguida, ao passo de uma fração de segundos, todos dentro da estalagem permaneceram empedernidos, exceto Dante, Montante, Farid, Flecha, Garth e Mirlla. A partir daquele momento, a profecia se cumpria e o mago sabia exatamente o que isto significava... Suas vidas estavam prestes a desfalecerem. E este era o sinal de que seu mentor tanto lhe falava... Ali se iniciara o inevitável principio do fim. 
Continua...      

Xandria - India - Black and Silver

Terras Sombrias Cap. 2 - Crepúsculo Lacrimal (Post IV)

Havia um leve toque de sarcasmo na voz gentil de Dante. A elfa mordeu os lábios para não falar nada. Dante não tinha tido nunca, em sua vida inteira, nenhum “caro amigo”.- Eu tinha sido escolhido por Erik-Zalian, o líder da minha ordem, para fazer o teste.
Dante continuou...
- O teste? Flecha repetiu surpresa.
- Mas você era muito jovem. Tinha o quê? Quinze anos? O teste é dado apenas para os magos que já estudaram há muitos anos... Contestou a elfa.
- Você pode imaginar o meu orgulho. Dante disse friamente, irritado pela interrupção.
- Meu irmão e eu viajamos para o lugar secreto, as lendárias Ruínas de Dragull. Foi lá que eu passei no teste. E lá, eu quase morri! A voz do mago quase sumiu.
A garganta de Montante se apertou obviamente tomado por uma emoção forte.
- Foi terrível! O homenzarrão falou, a voz tremula.
- Eu o encontrei morrendo naquele lugar horrível, o sangue escorria de seu corpo! Tudo a sua volta estava destruído. Eu o levantei e...
- Chega meu irmão! A voz suave de Dante estalou como um chicote.
Montante se encolheu. Flecha viu os olhos dourados do mago se apertar e suas mãos finas se juntarem. Montante ficou calado e engoliu o seu vinho, olhando nervosamente para o irmão. Havia claramente uma tensão no ar... Dante respirou fundo e continuou.
- Quando acordei, a minha pele tinha se tornado desta cor, uma marca do meu sofrimento. Meu corpo e minha saúde estão irrecuperavelmente destruídos. E meus olhos... Eu vejo através de pupilas em forma de ampulheta e, portanto, eu vejo o tempo... Percebo como ele afeta todas as coisas vivas e inanimadas. Mesmo agora, enquanto olho para você, Flecha. Eu vejo você morrendo aos poucos e muitos que aqui se encontram. Sussurrou o mago, segurando o braço da elfa.
A arqueira estremeceu ao sentir o toque frio da mão fina de Dante e começou a retirar seu braço lentamente. Entretanto, a mão do mago continuava imóvel.
O mago se inclinou para frente, seus olhos brilhavam fervorosamente, enquanto ele continuava a falar em um tom sombrio.
- Mas agora eu tenho poder! Erik-Zalian me disse que chegaria o dia em que minha força moldaria o mundo... Pois eu detenho este poder e ele provem do cajado de Dragus. Afirmou o mago apontando para o seu lado.
Flecha viu um cajado apoiado contra o tronco da árvore a uma pequena distância da mão de Dante. Era um cajado simples de madeira. Onde uma bola de cristal transparente ornava cintilantemente, presa em uma garra dourada, talhada de modo a parecer à garra de um dragão vermelho, oriundo das Ruínas de Drakhar.
- E valeu à pena? Perguntou Flecha baixinho.
Dante fixou seus olhos nela, depois seus lábios se abriram numa caricatura de sorriso. Ele tirou sua mão vagarosamente do braço de Flecha colocando-as dentro das mangas de seu manto, assumindo uma postura de resguardo.
- É claro que sim, não esta evidente? Sibilou o mago.
- Poder, como vocês bem sabem é o que eu venho buscando há muito tempo... E ainda busco, pois continuo acreditando, que esta seja a única forma de evoluirmos.
Dante reclinou seu corpo para trás e sua pequena silhueta se misturou no escuro da sombra, até tudo que Flecha era capaz de ver eram seus olhos dourados, reluzindo a luz do fogo, que a essa altura erguia-se em trepidantes labaredas incandescentes.
- Vinho! Bradou Farid, limpando a garganta e lambendo os lábios como se ele fosse tirar um gosto ruim da boca.
- Onde esta o leprechal? Eu acho que ele roubou a atendente... Ironizou o anão.
- Aqui estamos nos! Gritou a voz alegre de Garth.
Uma ruiva alta e jovem apareceu detrás dele, carregando uma bandeja com canecas.
Continua...
Xandria - India - Black and Silver

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 2 - Crepúsculo Lacrimal (Post III)

- O que ouve com seu rosto? Como conseguiu essa imensa cicatriz de batalha?- Se esta se referindo a este arranhãozinho, digamos que eu tenha metido à cara onde não devia. Desconversou o gigante, acerca de seu notório ferimento, que começara em sua testa e terminara na ponta de seu queixo, percorrendo a extensão de sua face direita.
- E quanto a Dante? Não me diga que ele não esta com você? Perguntou a elfa mudando de assunto, visto que os irmãos nunca estavam longe um do outro.
- Ali. Montante mostrou com um aceno a outra extremidade da mesa.
- Não admiro que não o reconheça, ele esta mudado. Avisou o guerreiro franzindo a testa, de um modo acentuado, fazendo com que seus olhos esbugalhassem.
A elfa olhou para a cabeceira da mesa, onde viu uma figura pequena sentada, encolhida dentro de um manto vermelho. Sua silhueta tinha um capuz que lhe cobriu o rosto.
Flecha sentiu uma repentina relutância em falar com o jovem mago sozinha, mas Garth tinha se levantado para procurar uma bebida e Farid estava sendo levantado do chão por Montante. A elfa moveu-se em direção ao fim da mesa.
- Dante? Ela disse, sentindo uma estranha sensação de apreensão.
A silhueta envolvida pelo manto levantou os olhos...
- Quanto tempo não ouço essa doce voz! Sussurrou o homem enquanto tirava vagarosamente o capuz da cabeça.
A elfa engoliu o ar a seco e deu um passo para trás, olhando aterrorizada. O rosto que olhou para ela de dentro das sombras, era um rosto saído de um pesadelo.
- Mudado, Montante tinha dito! Flecha tremia...
“Mudado”, não era a palavra. A pele branca do mago tinha ganhado um tom prateado. Ela brilhava na luz do fogo que climatizava o local, com uma aparência levemente metálica, como fosse uma mascara horrenda. A carne do rosto tinha derretido, deixando os ossos da face delineados em sombras assustadoras. Os lábios estavam esticados transformados em uma linha reta e escura. Mas eram os olhos que prendiam a atenção da elfa. Pois eles não eram mais os olhos de qualquer ser humano vivo que Flecha já estivesse visto. As pupilas negras tinham agora um formato de ampulheta e as íris, que Flecha lembrava serem azuis, tinham agora um brilho dourado.
- Percebo que minha aparência te choca! Murmurou Dante.
Havia uma leve sugestão de sorriso em seus lábios finos. Sentada de frente para o jovem, Flecha respirou fundo, tentando aparentar calma e falou:
- Em nome dos verdadeiros deuses, Dante...
Farid desabou num assento perto da elfa.
- Hoje eu fui levantado ao ar mais vezes do que quando nasci! Disse o anão enquanto arregalava os olhos e acariciava a sua barba.
- Que demônio tomou conta de si? Você foi amaldiçoado? Perguntou Farid num arquejo, olhando para Dante, que permanecia inabalável.
Montante sentou-se ao lado de seu irmão. Ele pegou sua caneca de vinho e olhou para Dante, deu um belo gole em sua bebida e perguntou em voz baixa:
- Então, você vai contar para eles?
- Sim! Disse Dante, fazendo as palavras saírem num chiado que fez Flecha estremecer.
O jovem falou num tom baixo e sibilante, um pouco mais alto que um sussurro como se aquilo fosse o máximo que ele podia fazer para a voz sair de seu corpo. Suas mãos longas e nervosas, que tinham a mesma cor prateada de seu rosto, brincavam distraidamente com o resto de comida que havia no prato a sua frente.
- Vocês se lembram quando nos partimos dez anos atrás? Dante começou.
- Meu irmão e eu tínhamos planejado uma viagem tão secreta que não podiamos nem contar para vocês onde nos estávamos indo, meus caros amigos.
Continua...
Naruto OST - 08 Sadness and Sorrow

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 2 - Crepúsculo Lacrimal (Post II)

- Talvez nossos amigos saibam. Disse Farid euforicamente. - Se eles estiverem aqui, muita coisa pode ter acontecido em dez anos. Retrucou Garth.
- Eles estarão aqui, se estiverem vivos! Disse Farid num tom mais baixo.
- Foi um juramento sagrado o que nos fizemos, nos encontrarmos novamente depois que dez anos tivessem se passado para contar o que tivéssemos descoberto sobre o mal que estava se espalhando pelo mundo. E pensar que nos viríamos para casa e encontraríamos o mal na soleira de nossa porta! Desabafou o anão.
- Psiu! Quieto! Repreendeu Flecha, enquanto vários transeuntes olhavam alarmados pelas palavras do anão descuidado.
- Melhor não falar sobre isso aqui. Aconselhou a elfa balançando a cabeça.
Ao chegar ao topo da escada, Garth abriu completamente a porta da hospedaria.
Uma onda de luz, ruídos, calor e o cheiro familiar de um belo javali recheado de batatas, impregnaram o ar, atingindo-os em cheio. Garth, examinando a multidão com seus olhos rápidos de leprechal, deu um grito e apontou para o outro lado do salão.
- Ali! Só pode ser ele...
A luz do fogo reluzia no elmo de um dragão alado, brilhante de tão polido.
- Quem é? Perguntou Farid forçando a vista para enxergar.
- Montante. Respondeu-lhe Flecha sorridente.
- Então, Dante estará aqui... Disse o anão, com certo desinteresse na voz.
O leprechal já estava se enfiando no meio daquele monte de gente, seu corpo pequeno e flexível quase despercebido pelas pessoas por quem ele já tinha passado. Flecha torcia fervorosamente para que o gnomo não estivesse “adquirindo” nenhum objeto dos clientes da hospedaria. Não que ele roubasse coisas, Garth teria ficado profundamente magoado se alguém lhe acusasse de roubo. O fato é que o leprechal sentiu uma curiosidade insaciável, de modo que, vários objetos interessantes que pertenciam a outras pessoas descobriam um jeito de parar na mão de Garth. A elfa e o anão tiveram mais dificuldade para atravessar a multidão que seu pequeno amigo. Quase todas as cadeiras haviam sido ocupadas, todas as mesas estavam cheias. Aqueles que não tinham conseguido achar um lugar para se sentar ficavam em pé, falando em voz baixa. As pessoas olhavam para Flecha e Farid de uma forma estranha, com desconfiança ou curiosidade. Ninguém cumprimentou Farid, embora houvesse várias pessoas que tinham sido fregueses do trabalho do anão como ferreiro, durante muito tempo. As pessoas do Vale da Nevoa tinham seus próprios problemas e aparentemente, Flecha e Farid eram agora considerados forasteiros. Ouviu-se um rugido do outro lado do salão, vindo de uma enorme mesa, onde o elmo de dragão refletia a luz da lareira. O rosto fechado de Flecha se transformou em um sorriso quando ela viu o gigante Montante levantar o pequeno Garth do chão num abraço de urso.
Farid, movendo-se com dificuldade através de um mar de fivelas de cintos, poderia apenas imaginar a visão quando ele ouviu a voz retumbante de Montante, respondendo a saudação do astuto leprechal.
- É melhor Montante cuidar de seus pertences ou contar seus dentes. Resmungou Farid.
O anão e a elfa conseguiram finalmente atravessar a multidão que se encontrava na frente do balcão do estabelecimento. Flecha removeu apressadamente o arco longo e a aljava com setas de suas costas, antes que Montante os transformasse em gravetos.
- Minha estimada amiga! Exclamou o bárbaro.
Os olhos de Montante estavam úmidos. Parecia que ele queria dizer mais alguma coisa, mas estava tomado pela emoção. Flecha também não conseguiu falar nada durante alguns momentos, mas porque ela teve o ar espremido para fora de seus pulmões pelos braços musculosos de Montante. Depois de ser suspensa no ar por alguns instantes, a elfa não se conteve e na primeira oportunidade, de imediato perguntou ainda ofegante, ao seu vigoroso amigo:
Continua...
NARUTO Shippuden - OP06 -Sign

Terras Sombrias Cap. 2 - Crepúsculo Lacrimal (Post I)

Quase todo mundo, nessa época, que se encontrava no Vale da Nevoa dava um jeitinho de dar uma passada na hospedaria Barril de Cedro, em alguma hora da noite. Nos circunstanciais dias em que vivemos as pessoas se sentem mais seguras estando em grupos e um lugar movimentado como o Barril, vinha mesmo a calhar... O vale tinha sido durante muito tempo uma encruzilhada para viajantes.
Eles vinham do Condado das Brumas e das montanhas de Sória ao sul. Algumas vezes vinham do leste, do Desfiladeiro da Perdição e outras do norte do temível Charco de Hellstor. A hospedaria Barril de cedro era conhecida em todo o mundo civilizado como um refúgio dos viajantes e um lugar para se saber as novidades. Cientes que encontrariam um local seguro para descansar e quem sabe, passar a noite, foi para a hospedaria que os três amigos se dirigiram...
O enorme tronco retorcido erguia-se no meio das árvores a sua volta. Os vitrais coloridos luziam brilhantemente contra a sombra da copadeiras, enquanto sons de todas as espécies escapavam pelas janelas. Lamparinas penduradas nos galhos iluminavam a escada sinuosa, que levava a entrada da acolhedora estalagem.
Embora a noite do outono estivesse esfriando no meio das copadeiras do Barril de Cedro, os viajantes sentiam o companheirismo e as memórias acalentarem suas almas e levarem para longe as dores e as tristezas da estrada.
A hospedaria estava tão lotada nesta noite, que os três amigos eram forçados o tempo todo a se encostar ao lado da escada para deixar homens, mulheres e crianças passarem por eles. Ao passo que se aproximavam da porta de entrada, Flecha percebeu que as pessoas olhavam para ela e seus companheiros com desconfiança e não com o olhar de boas vindas que eles teriam dado dez anos atrás.
Flecha fechou a cara. Esta não era à volta para casa com que ela havia sonhado. A elfa nunca tinha sentido tanta tensão nos cinqüenta anos que havia morado no vale. Os boatos que ela tinha escutado sobre a corrupção maligna dos seguidores do clericato deviam ser verdadeiros.
Dez anos atrás, uns homens que chamavam a si mesmo de “Seguidores” formaram uma organização de clérigos que praticavam sua nova religião nas cidades de Áquila, Mirlla e no próprio Vale da Nevoa. Flecha acreditava que estes clérigos tinham se desencaminhado, mas pelo menos eles haviam sido honestos e sinceros. Nos anos que se seguiram, entretanto, os clérigos foram ganhando cada vez mais status à medida que sua religião florescia. Em pouco tempo, eles passaram a se preocupar menos com a glória no pós vida e mais com poder que poderiam adquirir imediatamente. Eles tomaram conta do governo das cidades com a benção do próprio povo.
Um toque no braço de Flecha interrompeu seus pensamentos...
Ela se virou e viu Farid apontando para baixo silenciosamente. Ao olhar para a direção que apontava o anão, a elfa viu guardas marchando, sempre em grupos de quatro. Armados até os dentes, eles caminhavam com um ar de imponência.
- Pelo menos eles são humanos e não goblinóides. Disse Garth aliviado.
- Aquele goblinóide torceu o nariz quando eu mencionei um dos teocratas, como se eles estivessem trabalhando para outra pessoa. Eu fico imaginando o que será que esta acontecendo. Ponderou Flecha, apressando o passo em direção a porta de entrada.
Continua...
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domingo, 29 de janeiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 1 – Fragmentos (Post VII)

- Você descobrirá quem nos contratou, mais cedo do que gostaria! Resmungou outro goblinóide, correndo na direção da elfa distraída. Flecha virou-se rapidamente e antes que a criatura desferisse o seu ataque, ela disparou o seu arco certeiramente. A seta disparada pela arqueira trespassou a jugular do goblinóide que caiu de joelhos ao chão. Enquanto seu companheiro se esvaia em sangue, os outros dois goblinóides restantes correram para cima de Farid, que cambaleante, tentava recuperar o equilíbrio pelo golpe letal que desferira.Foi então, que a voz fina de “Mãos Leves” se fez ouvir...
- Esta escória luta para qualquer um, Flecha. Dê-lhes carne de texugo de vez em quando e eles serão seus para sempre!
Os goblinóides bufaram enraivecidos, e voltando suas atenções para Garth, um deles gritou, apontando para o gnomo:
- Que tal carne de leprechal?
- Ouvi dizer por ai, que é muito suculenta!
Ao que o outro enfadonho ser respondeu:
- Só se for crua!
As criaturas gargalhando, correram na direção do aparentemente desarmado leprechal. Garth, sempre com aquela expressão inocente de criança, calmamente enfiou a mão em seu colete de lã de carneiro, de onde puxou duas adagas e as arremessou, num único gesto. Os goblinódes colocaram as mãos no peito e caíram com um gemido uníssono. A batalha havia terminado. Flecha guardou seu arco as costas, fazendo caretas de nojo ante aos corpos fedorentos, que cheiravam a peixe podre. Farid limpou o sangue negro do goblinóide da lâmina de seu machado, enquanto acenava a cabeça para o leprechal, em sinal de gratidão. Garth por sua vez, fitava com tristeza o corpo do goblinóide que havia matado. Eles tinham caído de bruços, com as adagas escondidas debaixo deles...
- Eu pego elas para você. Disse Flecha, preparando-se para rolar um dos corpos malcheirosos das criaturas abatidas em combate.
- Não! Eu não as quero mais. Sabe você nunca consegue se livrar do cheiro. Comentou Garth fazendo uma careta enfadonha.
Flecha concordou com o amigo e desistiu da idéia. Farid prendeu novamente seu machado e os três continuaram a percorrer o caminho. As luzes do vale ficavam mais claras à medida que a escuridão aumentava. O cheiro de fumaça de madeira no ar frio da noite trouxe pensamentos de comida calor e segurança. Os companheiros apertaram o passo. Eles não falaram nada durante um bom tempo, tanto o gnomo como a elfa, apenas ouviam o eco das palavras de Farid em suas mentes:
- “Goblinóides... No meu Vale”...
Até que o irrefreável leprechal não se agüentou e sorrindo disse:
- Esta contente de não ter impregnado suas botas, minha cara amiga?
- Claro que sim! Mas você perdeu duas belas adagas. Comentou a elfa inconsolável.
- Sem problemas belezura, não eram minhas e sim do Farid! Afirmou o sorridente leprechal, segurando firmemente seus sacos de quinquilharias.
Bastou a frase ser terminada para o gnomo disparar em uma corrida desenfreada, vale abaixo, seguido por seu furioso amigo anão e sua companheira elfa, logo atrás.
Enquanto corria, a arqueira pensava em quantas vezes havia presenciado aquela cena...
E o quanto sentia a falta de seus amigos... Um sentimento tomou conta de seu coração e o que era duvida se transformou em certeza... A partir daquele momento, a arqueira decidira nunca mais separar-se daqueles a quem considera a sua única família.
Continua...   
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 1 – Fragmentos (Post VI)

Miraf inclinou-se para falar com um goblinóide que se encontrava perto dele.
- Traga-me o cetro de cristal azul, se você o encontrar com eles. Disse convicto o cavaleiro na sua estranha língua.
Flecha, Farid e Garth, trocaram olhares entre si se questionando. Todos eles sabiam falar alguma coisa na língua nativa das criaturas, “Mãos ligeiras” melhor que os outros, mas ainda era muito pouco, para decifrar aquele rude dialeto...
- Se eles resistirem mate-os! Acrescentou Miraf, voltando a falar a língua comum para causar mais efeito e amedrontar os três indivíduos.
Dito isto, ele puxou as rédeas, girou sua montaria num único gesto e galopou caminho abaixo em direção á cidade que afirmou estar protegendo.
- Goblinóides; no meu Vale... Estes malditos seguidores do Clero têm muita coisa para me explicar! Esbravejou o velho anão, fazendo mão de seu machado de batalha.
Farid “Martelo de ferro” plantou seus pés firmemente no chão, balançando para frente e para trás até se sentir equilibrado e anunciou:
- Muito bem, vermes. Venham sentir a força de meu machado!
- Ouçam o que meu amigo vos fala e recuem. Disse Flecha, sacando duas cetas envenenadas de sua aljava e postando somente uma delas em seu arco.
- Nós fizemos uma longa jornada. Estamos cansados, famintos e atrasados para uma reunião com amigos que não vemos há muito tempo. Portanto, não temos nenhuma intenção de sermos presos. Complementou Flecha.
- Ou sermos mortos. Acrescentou Garth, que não havia sacado nenhuma arma, mas continuava observando os goblinóides com interesse.
Um tanto quanto surpresas, as criaturas trocaram olhares nervosos entre si. Os goblinóides estavam acostumados a incomodar fazendeiros e vendedores ambulantes, que encontravam em suas andanças, não desafiar lutadores armados e obviamente treinados. Mas seu ódio por toda e qualquer raça que não fora a sua, falou mais alto...
Apressadamente todos sacaram suas espadas longas e curvas.
- Só existe uma criatura que eu odeio mais do que um anão... E essa criatura é um goblinóide! Afirmou Farid, dando um passo a frente segurando firmemente o cabo de seu inseparável companheiro.
Um dos goblinóides mergulhou contra o anão, esperando derruba-lo. Farid girou seu machado com uma precisão mortal... E a cabeça de uma das criaturas rolou na poeira e o corpo dele se estatelou no chão, manchando-o de vermelho.
- O que vocês gosmentos estão fazendo tão longe de casa? Perguntou Flecha, esquivando habilmente a estocada desajeitada desferida por outro goblinóide.
- Então, vocês trabalham para o tal de Melgar? Disse Flecha, empurrando com uma das pernas o goblinóide para trás e o desiquilibrando. 
- Melgar? O goblinóide engasgou com a gargalhada que deu. Brandindo sua espada como um louco, ele correu para cima de Flecha.
- Aquele idiota? Ironizou o goblinóide. Nos trabalhamos para... Uargh!
A criatura empalou a si mesma em uma das setas que a arqueira elfa segurava em sua mão. O goblinóide grunhiu, depois foi escorregando devagarzinho até chegar ao chão.
- Droga! Praguejou Flecha, olhando frustrada para o goblinóide morto.
- Idiota atrapalhado! Eu não queria matá-lo, só queria descobrir quem o contratou. Ressaltou Flecha, enquanto retirava sua seta da barriga do goblinóide.
Continua...
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Terras Sombrias Cap. 1 – Fragmentos (Post V)

O brilho metálico que os olhos de Flecha tinham visto vinha das fivelas de um dos numerosos sacos presos a volta de seus ombros e de sua cintura.
Garth sorriu para eles, guardando o chifre de unicórnio, com o qual havia criado aquele som fantasmagórico. Flecha deveria tê-lo reconhecido de imediato, pois já havia visto o leprechal assustar muitos de seus atacantes com sua besta e seu chifre de unicórnio encantado, feito nas profundezas das montanhas de Sória.
Garth, repentinamente correu de encontro a seus velhos conhecidos, com os braços abertos e o coração cheio de saudades.
- Farid! Gritou o leprechal jogando os seus braços em volta do anão e o abraçando.
O anão envergonhado, respondeu ao abraço de forma relutante, depois rapidamente deu um passo para trás. Garth riu, depois levantou os olhos para a elfa e perguntou ao anão:
- Quem é esta belezura? Suas feições não me são estranhas. Espere um momento...
- Flecha! Eu não te reconheci de capote...
- Quanto tempo não te vejo, deixe–me ver, você me parece ótima!
 O pequenino estendeu os seus curtos braços...
- Não, obrigada! Recusou Flecha, rindo. Ela acenou mantendo o leprechal à distância.
- Eu prefiro que minha escarcela continue no lugar onde está.
Com um repentino olhar de espanto, Farid procurou por seus pertences...
- Seu safado! Ele rugiu e pulou sobre o leprechal, que ria. Os dois rolaram mata adentro, engalfinhados, até estatelarem-se em uma árvore.
Flecha, segurando o riso, começou a puxar Farid de cima do leprechal. Relutante ele parou e se virou alarmado. Tarde demais, ele ouviu o chacoalhar da prata das rédeas e do cabresto e o bufar de um cavalo. A elfa levou a mão a sua aljava e rapidamente sacou uma seta, mas ela já havia perdido toda e qualquer vantagem que poderia ter se estivesse alerta. Praguejando, Flecha não podia fazer nada senão ficar parada e olhar para a figura que emergia das sombras. Ela estava montada em seu cavalo, um alazão de pelos longos na perna que se movia com a cabeça baixa, como se tivesse vergonha de seu cavaleiro. Uma estranha criatura acinzentada e calva, de extensas orelhas pontiagudas, profundos olhos avermelhados, bochechas enrugadas e nariz achatado. O cavaleiro também possuía uma fétida boca, de onde saiam protuberantes presas de marfim e seu corpo era rechonchudo, porem entroncado. A criatura portava uma armadura barata e pretensiosa, que certamente fora saqueada de algum peregrino descuidado.
Um odor peculiar atingiu Flecha e ela franziu o nariz com nojo. “Goblinóide”. Seu cérebro registrou. Ela devolveu a seta a sua aljava, enquanto observava seu amigo anão dar um tremendo espirro e cair sentado sobre o leprechal.
- Cavalo! Disse Farid, espirrando novamente.
- Atrás de você... Flecha respondeu baixinho.
Farid, ouvindo o tom de alerta na voz de sua amiga, levantando-se desajeitadamente, enquanto Garth rapidamente fazia o mesmo.
O goblinóide estava sentado no cavalo com uma perna de cada lado, observando-os com um olhar desdenhoso, como se estivesse olhando para vermes em um monte de esterco.
- Vocês estão vendo rapazes, com que tipo de idiotas estamos lidando aqui no Vale da Nevoa... Disse o goblinóide, falando em língua comum com forte sotaque.
Ouviram-se risos vindos de trás das árvores. Outros cinco goblinóides, usando as mesmas vestimentas malfeitas, saíram caminhando em direção a seu líder. Eles posicionaram-se dos dois lados do cavaleiro, que agora se inclinara em sua sela.
Flecha assistia como uma espécie de fascinação horrível quando a enorme barriga da criatura engoliu o bico da sela, que encilhava seu cavalo.
- Eu sou Miraf, líder das forças de Melgar, que mantém o vale protegido de elementos indesejáveis. Vocês não têm o direito de estar andando nos limites da cidade depois do por do sol. Portanto, meus caros, vocês estão presos!
Continua...
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 1 - Fragmentos (Post IV)

Farid continuou caminhando com passos pesados sem responder. Por fim, alguns metros depois, de cara fechada ele disse:
- Eu nunca deveria ter ido! Afirmou Farid veementemente.
O anão levantou os olhos para a amiga, aqueles olhos quase impossíveis de se ver através daquelas sobrancelhas brancas e espessas, informando a elfa que esta parte da conversa não era bem vinda. Flecha percebeu o olhar de Farid, mas fez suas perguntas do mesmo modo, a contra gosto de seu amigo.
- Mas o que aconteceu com os Deuses anões e as histórias que nos ouvimos?
- Não eram verdadeiras. Os Deuses desapareceram 200 anos atrás durante o cataclismo. Assim disseram os anciões. Disse Farid resignado.
- Espere um momento...
Flecha levantou uma das mãos como advertência, enquanto o anão ficou imóvel.
- O que foi? Farid murmurou.
- Eu ouvi alguma coisa vinda daquele arvoredo. Flecha apontou.
Farid olhou para além das árvores, ao mesmo tempo em que sua mão procurava o machado de batalha que estava amarrado em suas costas e disse:
- Não vejo nada além da escuridão.
- Mas eu vi, há algo brilhante em meio aqueles arbustos e esta apontado para nos. Afirmou Flecha fitando o mesmo lugar onde tinha visto o tal brilho e gradualmente sua visão de elfo começou a detectar a morna aura vermelha emanada por todos os seres vivos, mas visível apenas para sua raça.
- Quem esta aí? Perguntou Flecha fazendo mão de seu arco.
Durante um bom tempo, a única resposta foi um som estranho que fez com que os pelos do pescoço da elfa se arrepiassem. Era um som oco, uma espécie de zunido que começou baixo e foi aumentando até se transformar num tom agudo, como um gemido gritado. Acompanhado o grito havia uma voz.
- Elfa andarilha, volte de onde você veio e deixe o anão para trás. Nos somos os espíritos das pobres almas que Farid “Martelo de Ferro” deixou no chão, ao relento de um campo de batalha... Chegou à hora desse anão maldito receber seu espólio, pelos corpos que empilhou e não foi capaz de beber um só gole do vinho mais barato, em nossa homenagem. Morte a este desprezível ser enfadonho!
As vozes dos espíritos aumentaram ainda mais, assim como o gemido que ressoava altivamente por boa parte da floresta, assustando os incautos animais das proximidades.
- Nos morremos, foi de vergonha, amaldiçoados por sermos mortos por um embriagado anão da montanha, que não aguentava o peso de suas próprias pernas. Afirmaram os espíritos altivamente, enquanto pareciam deslocar-se em direção do anão e sua amiga.
A barba de Farid tremia de ódio, e Flecha que tinha começado a gargalhar foi forçada a agarrar o furioso anão pelos ombros para evitar que ele disparasse de cabeça para dentro da mata e acabasse com todo e qualquer ser vivo que se opusesse entre ele e os tais espíritos vingadores.
- Malditos sejam os olhos dos elfos e maldita sejam as barbas dos anões. Disse a voz fantasmagórica sarcasticamente.
- Você não desconfiou? Perguntou Farid.
- Garth “Mãos Ligeiras”! Murmurou Flecha.
Ouve um ligeiro farfalhar nos arbustos mais baixos, então, uma figura pequena se pôs no caminho. Era um leprechal, um membro de uma raça de duendes, considerada por muitas pessoas do Vale da Nevoa, como um incomodo pior que os mosquitos. De ossatura pequena, os leprechais raramente crescem mais que 1,20m. Este leprechal em particular era quase da altura de Farid, mas sua estrutura franzina e seu perpetuo rosto de criança, exceto por seu cavanhaque, faziam com que ele parecesse menor. Ele vestia um colete de pelo de animal e uma túnica branca, com adornos vermelhos. Seus olhos azuis brilhavam cheios de malicia e alegria, seu sorriso parecia chegar ao topo de suas generosas orelhas pontudas. Ele baixou a cabeça, o que fez com que algumas mechas de seu cabelo loiro, caíssem por cima de seu nariz. Depois, lentamente ele se recompôs e não pode mais conter o riso. Gargalhando exclamou, para que todos pudessem ouvir:
- Eu sou demais!
Continua...
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Terras Sombrias Cap. 1 – Fragmentos (Post III)

Flecha e o anão viraram-se e olharam para baixo, para o vale quieto. Luzes começaram a piscar, tornando visíveis as sentinelas nas árvores. O ar da noite estava parado, calmo e doce, tingido com o cheiro de fumaça da madeira das lareiras, das casas espalhadas vale abaixo. Vez ou outra eles conseguiam ouvir o barulho lá longe de uma mãe chamando seus filhos para jantar.
- Não ouvi falar de nenhum problema no Vale da Nevoa, em minhas andanças. Disse Farid calmamente a sua bela amiga elfa.
- Então você não ouviu falar de nenhuma perseguição religiosa... Inquisidores...
A voz de Flecha soou ameaçadora vinda das profundezas de seu capuz. A voz mais grave, mais sombria do que Farid se lembrava. O anão franziu a testa. Sua amiga havia mudado nestes 10 anos. E os elfos nunca mudam!
- Inquisições! De acordo com os boatos isso atinge apenas aqueles que desafiem o novo clericato. Farid disparou de vereda.
- Eu não acredito nos Deuses dos seguidores do clero, nunca acreditei, mas não exponho minhas idéias pelas ruas. Fique calado e eles te deixam sossegado, esse é meu mote. Os seguidores de Havengard são homens pobres de espírito. E quanto a este tal de Melgar, é apenas uma maçã podre, que deve estar estragando todo o cesto. A propósito, você encontrou o que procurava?
- Algum sinal dos antigos e verdadeiros deuses anões? Ou a paz de espírito de que tanto falava? Perguntou Flecha, curiosa em saber dos dogmas de seu amigo.
- Eu buscava os dois. A respeito de qual dos dois você quer saber? Interrogou Farid.
- Bem, eu achei que um vinha junto com o outro... Retrucou Flecha.
Farid girou o pedaço de madeira que estava em suas mãos, ainda insatisfeito com suas proporções, no entanto resolveu guarda-la.
- Nós vamos ficar aqui a noite inteira sentindo o cheiro da comida, ou vamos para a cidade jantar? Desconversou o anão, irrequieto.
- É melhor nós irmos então. Flecha acenou com um gesto.
Juntos, os dois começaram o trajeto, mas as longas pernas de Flecha forçavam o anão a dar dois passos para cada um dela. E embora já fizesse muitos anos que eles tinham viajado juntos, Flecha diminuiu inconscientemente seu ritmo, enquanto Farid apressou inconscientemente o dele.
- E você menina, foi bem sucedida em sua jornada? Indagou o anão.
- Nada. Como havia descoberto muito tempo atrás, os únicos sacerdotes que existem neste mundo servem falsos Deuses. Eu ouvi histórias de curas, mas tudo não passava de truques. Felizmente, nosso amigo Dante me ensinou o que deveria olhar... Respondeu Flecha, afivelando seu cinturão, uma casa a menos.
- Dante! Disse Farid ofegante.
- Aquele mago branquelo e magricela. Ele próprio é mais do que meio charlatão. Sempre reclamando e resmungando e metendo aquele nariz enorme onde não é chamado. Se não fosse pelo cuidado que o irmão tem com ele, alguém já teria dado um fim a seus feitiços há muito tempo.
Flecha estava feliz pelo fato do capuz esconder seu sorriso.
- Acho que aquele jovem era um mago melhor do que você quer admitir e você tem de convir, que ele trabalhou duro e sem descanso para ajudar aqueles que foram enganados pelos falsos sacerdotes, como eu. Ela suspirou.
- Pelo que você sem duvida recebeu poucos agradecimentos. Rebateu o anão.
- Pouquíssimos eu diria. Ironizou Flecha, com um meio sorriso em seus lábios.
- Infelizmente meu amigo, as pessoas querem acreditar em alguma coisa, mesmo que lá no fundo elas saibam que não é verdade. Mas e você, “Martelo de Ferro”, me conte como foi sua viagem para a sua terra natal? Questionou curiosa a elfa.
Continua...
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 1 – Fragmentos (Post II)

A voz soou familiar, a primeira voz familiar que ele escutava em muito tempo, embora não soubesse dizer de quem era.
Farid apertou os olhos contra o sol que se punha sobre as enormes árvores que o cercavam. Ele achou que tinha visto a silhueta de uma formosa mulher, correndo caminho acima. De pé, Farid colocou-se a sombra de um alto pinheiro para melhor observar quem proferia tais palavras. O caminhar da mulher era marcado por uma graça elegante e a rigidez de seus músculos definitivamente não eram humanos. Tudo que o anão conseguia ver eram longas tranças douradas saídas de um capuz verde e curvas capaz de deixar qualquer anão com as barbas de molho. Ela trazia um arco longo pendurado em seu ombro e uma aljava repleta de setas venenosas, devidamente atreladas a suas costas. Vestindo uma roupa de pelica, cuidadosamente trabalhada com desenhos intrincados que somente os mais notáveis elfos poderiam vestir, no entanto nenhum elfo do Vale da Nevoa, poderia proferir tal afirmação, de modo tão insolente... Nenhum elfo despeitado ousaria a tal ponto, nenhum exceto... 
- Flecha? Disse Farid de modo hesitante, enquanto a mulher se aproximava.
- A própria, baixinho!
O rosto atraente da recém chegada se abriu num enorme sorriso. Ela manteve os braços abertos, e antes que o anão pudesse para-la, agarrou Farid em um abraço que o levantou do solo. O anão apertou sua velha amiga contra si durante um breve momento depois, lembrando-se de sua dignidade, debateu-se e se livrou do abraço da elfa.
- Bem, percebo que você não aprendeu boas maneiras em 10 anos. Resmungou o anão.
- Continua não respeitando a minha idade nem o meu posto. Erguer-me como um saco de batatas, quanta insolência. Farid olhou estrada abaixo.
- Espero que ninguém conhecido tenha nos visto. Comentou o anão.
- Eu duvido que exista muita gente que se lembre de nós. Disse Flecha fitando os olhos do amigo troncudo carinhosamente.
- O tempo não passa para nós, velho anão, como passa para os humanos. Dez anos são um longo tempo para eles, um curto momento para nós. Dito isto ele sorriu dizendo: Você não mudou nada menina!
Farid pegou sua madeira do chão e voltou a sentar-se na rocha, tornando a esculpi-la.  Ele franziu a testa para Flecha e interpelou:
- Por que este capote? Não acha uma afronta aos Deuses esconder um rosto tão belo?
Flecha alisou suas longas tranças douradas, e descobriu por completo o seu rosto.
- Eu estive em terras que não eram amistosas, com pessoas de sangue élfico.
Por isso o capote... Ela disse com uma ironia meio amarga.
- Ajudou muito a esconder a minha origem e desde então, adotei a vestimenta como parte de meu vestuário. Complementou a elfa.
Farid grunhiu. Ele sabia que aquela não era a verdade completa. Embora odiasse matar, Flecha não era de se esconder de uma boa briga por trás de um capote. Cavacos de madeira voavam e se acumulavam pelo chão.
-Escute menina, estive em muitos lugares. Terras que não eram amistosas com qualquer um, de qualquer tipo de sangue. Farid virou a madeira em sua mão, examinando-a.
- Mas nós estamos em casa agora. Tudo isso ficou para trás.
- Não pelo que eu tenho escutado. Disse Flecha, cobrindo novamente o seu rosto com o capuz e olhando desconfiada para os lados.
- Os seguidores de Havengard, o teocrata, indicaram um homem chamado Melgar para governar junto ao clericato e ele transformou nossa cidade em um viveiro de fanáticos com sua nova religião. Eu mesmo pude comprovar a fúria daqueles que se auto-proclamam aos quatro ventos de “os fervorosos”, ao queimarem em praça publica um “herege”, sem a menor piedade. Contou a elfa, estarrecida. 
Continua... 
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 1 – Fragmentos (Post I)

Movendo-se vagarosamente pela densa floresta que cobre o Condado das Brumas, uma solitária figura regressa de sua longa jornada. Suas vestes empoeiradas e suas feições abatidas denotam o quanto pode ser austera uma procura por seu autoconhecimento. Entretanto, os percalços que o destino lhe impôs ao passar dos anos, bem como suas cicatrizes de batalha, tornaram este individuo um ser mais forte, cuja alcunha que lhe foi conferida, retrata em palavras apenas o que este homem deixou transparecer.
Aqueles que o conhecem, chamam-no de Farid “Martelo de Ferro”.
E sua caminhada esta prestes a se encerrar...
Cansado da viagem, Farid “Martelo de Ferro” desabou sobre uma rocha coberta de musgo. Seus velhos ossos de anão o haviam suportado por tempo suficiente e não estavam dispostos a continuar sem se queixarem, pela carga trazida de longa data.
- Eu nunca deveria ter partido. Este é o meu lugar e aqui quero estar até o fim de meus dias. Resmungou Farid do alto de uma montanha, a última fronteira que o separa do Vale da Nevoa. Uma hospitaleira cidadezinha, que o acolhera há muito tempo atrás. 
Ele falou alto, embora não houvesse sinal de outro ser vivo nas redondezas, longos anos vagando solitário tinham levado o anão a adquirir o estranho habito de falar consigo mesmo, assim como quem fala com seu amigo imaginário.
Batendo as duas mãos na enorme pedra, Farid “Martelo de Ferro” esbravejou:
- E que os Deuses me amaldiçoem se eu partir novamente!
Aquecida pelo sol da tarde, aquela rocha transmitia uma sensação de conforto para o velho anão que tinha caminhado o dia inteiro, no frígido ar do outono. Farid relaxou e deixou o calor do entardecer penetrar em seus ossos, o mesmo calor que por muito tempo aquecera os seus pensamentos e agora aquece a sua alma, pois ele finalmente se sente no aprazível aconchego de seu lar.  
Olhando a sua volta, ele procura paisagens familiares, como a formação rochosa em forma de concha, que por muitas vezes o abrigara nas frias noites intempestivas de inverno. Enquanto sentava e descansava, Farid pegou um bloco de madeira e uma adaga brilhante extremamente afiada de seu alforje, suas mãos moviam-se inconscientemente... Desde os tempos mais remotos, seu povo sempre teve a necessidade de dar a forma que eles desejavam, para àquilo que não possuía forma alguma. Ele mesmo tinha sido um hábil ferreiro renomado antes de se aposentar, há alguns anos... Ele colocou sua faca na madeira, depois suas mãos permaneceram paradas, pois a atenção de Farid havia sido atraída pela fumaça que saia das chaminés das casas escondidas no vale logo abaixo.
- O fogo da minha própria casa apagou-se. Disse Farid suavemente. Ele balançou a cabeça, com raiva por seu sentimentalismo e começou a cortar a madeira com demasiada violência. Resmungando altivamente:
- Minha casa ficou vazia... É provável que o telhado tenha goteiras e que a mobília tenha sido arruinada. Com um pouco de sorte, talvez esteja somente infestada por aqueles malditos roedores mal cheirosos.
Busca estúpida. Esta foi à coisa mais idiota que eu já fiz. Depois de 145 anos, eu deveria ter aprendido!
- Você nunca aprenderá anão, uma voz distante respondeu-lhe.
- Nem que você viva 245 anos.
A mão do anão deixou a madeira cair, depois se moveu com uma calma segurança inigualável, da adaga para o cabo do machado enquanto ele observava avidamente cada centímetro da floresta...
Continua...
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