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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Terras Sombrias Cap. 1 – Fragmentos (Post III)

Flecha e o anão viraram-se e olharam para baixo, para o vale quieto. Luzes começaram a piscar, tornando visíveis as sentinelas nas árvores. O ar da noite estava parado, calmo e doce, tingido com o cheiro de fumaça da madeira das lareiras, das casas espalhadas vale abaixo. Vez ou outra eles conseguiam ouvir o barulho lá longe de uma mãe chamando seus filhos para jantar.
- Não ouvi falar de nenhum problema no Vale da Nevoa, em minhas andanças. Disse Farid calmamente a sua bela amiga elfa.
- Então você não ouviu falar de nenhuma perseguição religiosa... Inquisidores...
A voz de Flecha soou ameaçadora vinda das profundezas de seu capuz. A voz mais grave, mais sombria do que Farid se lembrava. O anão franziu a testa. Sua amiga havia mudado nestes 10 anos. E os elfos nunca mudam!
- Inquisições! De acordo com os boatos isso atinge apenas aqueles que desafiem o novo clericato. Farid disparou de vereda.
- Eu não acredito nos Deuses dos seguidores do clero, nunca acreditei, mas não exponho minhas idéias pelas ruas. Fique calado e eles te deixam sossegado, esse é meu mote. Os seguidores de Havengard são homens pobres de espírito. E quanto a este tal de Melgar, é apenas uma maçã podre, que deve estar estragando todo o cesto. A propósito, você encontrou o que procurava?
- Algum sinal dos antigos e verdadeiros deuses anões? Ou a paz de espírito de que tanto falava? Perguntou Flecha, curiosa em saber dos dogmas de seu amigo.
- Eu buscava os dois. A respeito de qual dos dois você quer saber? Interrogou Farid.
- Bem, eu achei que um vinha junto com o outro... Retrucou Flecha.
Farid girou o pedaço de madeira que estava em suas mãos, ainda insatisfeito com suas proporções, no entanto resolveu guarda-la.
- Nós vamos ficar aqui a noite inteira sentindo o cheiro da comida, ou vamos para a cidade jantar? Desconversou o anão, irrequieto.
- É melhor nós irmos então. Flecha acenou com um gesto.
Juntos, os dois começaram o trajeto, mas as longas pernas de Flecha forçavam o anão a dar dois passos para cada um dela. E embora já fizesse muitos anos que eles tinham viajado juntos, Flecha diminuiu inconscientemente seu ritmo, enquanto Farid apressou inconscientemente o dele.
- E você menina, foi bem sucedida em sua jornada? Indagou o anão.
- Nada. Como havia descoberto muito tempo atrás, os únicos sacerdotes que existem neste mundo servem falsos Deuses. Eu ouvi histórias de curas, mas tudo não passava de truques. Felizmente, nosso amigo Dante me ensinou o que deveria olhar... Respondeu Flecha, afivelando seu cinturão, uma casa a menos.
- Dante! Disse Farid ofegante.
- Aquele mago branquelo e magricela. Ele próprio é mais do que meio charlatão. Sempre reclamando e resmungando e metendo aquele nariz enorme onde não é chamado. Se não fosse pelo cuidado que o irmão tem com ele, alguém já teria dado um fim a seus feitiços há muito tempo.
Flecha estava feliz pelo fato do capuz esconder seu sorriso.
- Acho que aquele jovem era um mago melhor do que você quer admitir e você tem de convir, que ele trabalhou duro e sem descanso para ajudar aqueles que foram enganados pelos falsos sacerdotes, como eu. Ela suspirou.
- Pelo que você sem duvida recebeu poucos agradecimentos. Rebateu o anão.
- Pouquíssimos eu diria. Ironizou Flecha, com um meio sorriso em seus lábios.
- Infelizmente meu amigo, as pessoas querem acreditar em alguma coisa, mesmo que lá no fundo elas saibam que não é verdade. Mas e você, “Martelo de Ferro”, me conte como foi sua viagem para a sua terra natal? Questionou curiosa a elfa.
Continua...
Naruto-Distance(full)

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