A voz soou familiar, a primeira voz familiar que ele escutava em muito tempo, embora não soubesse dizer de quem era.Farid apertou os olhos contra o sol que se punha sobre as enormes árvores que o cercavam. Ele achou que tinha visto a silhueta de uma formosa mulher, correndo caminho acima. De pé, Farid colocou-se a sombra de um alto pinheiro para melhor observar quem proferia tais palavras. O caminhar da mulher era marcado por uma graça elegante e a rigidez de seus músculos definitivamente não eram humanos. Tudo que o anão conseguia ver eram longas tranças douradas saídas de um capuz verde e curvas capaz de deixar qualquer anão com as barbas de molho. Ela trazia um arco longo pendurado em seu ombro e uma aljava repleta de setas venenosas, devidamente atreladas a suas costas. Vestindo uma roupa de pelica, cuidadosamente trabalhada com desenhos intrincados que somente os mais notáveis elfos poderiam vestir, no entanto nenhum elfo do Vale da Nevoa, poderia proferir tal afirmação, de modo tão insolente... Nenhum elfo despeitado ousaria a tal ponto, nenhum exceto...
- Flecha? Disse Farid de modo hesitante, enquanto a mulher se aproximava.
- A própria, baixinho!
O rosto atraente da recém chegada se abriu num enorme sorriso. Ela manteve os braços abertos, e antes que o anão pudesse para-la, agarrou Farid em um abraço que o levantou do solo. O anão apertou sua velha amiga contra si durante um breve momento depois, lembrando-se de sua dignidade, debateu-se e se livrou do abraço da elfa.
- Bem, percebo que você não aprendeu boas maneiras em 10 anos. Resmungou o anão.
- Continua não respeitando a minha idade nem o meu posto. Erguer-me como um saco de batatas, quanta insolência. Farid olhou estrada abaixo.
- Espero que ninguém conhecido tenha nos visto. Comentou o anão.
- Eu duvido que exista muita gente que se lembre de nós. Disse Flecha fitando os olhos do amigo troncudo carinhosamente.
- O tempo não passa para nós, velho anão, como passa para os humanos. Dez anos são um longo tempo para eles, um curto momento para nós. Dito isto ele sorriu dizendo: Você não mudou nada menina!
Farid pegou sua madeira do chão e voltou a sentar-se na rocha, tornando a esculpi-la. Ele franziu a testa para Flecha e interpelou:
- Por que este capote? Não acha uma afronta aos Deuses esconder um rosto tão belo?
Flecha alisou suas longas tranças douradas, e descobriu por completo o seu rosto.
- Eu estive em terras que não eram amistosas, com pessoas de sangue élfico.
Por isso o capote... Ela disse com uma ironia meio amarga.
- Ajudou muito a esconder a minha origem e desde então, adotei a vestimenta como parte de meu vestuário. Complementou a elfa.
Farid grunhiu. Ele sabia que aquela não era a verdade completa. Embora odiasse matar, Flecha não era de se esconder de uma boa briga por trás de um capote. Cavacos de madeira voavam e se acumulavam pelo chão.
-Escute menina, estive em muitos lugares. Terras que não eram amistosas com qualquer um, de qualquer tipo de sangue. Farid virou a madeira em sua mão, examinando-a.
- Mas nós estamos em casa agora. Tudo isso ficou para trás.
- Não pelo que eu tenho escutado. Disse Flecha, cobrindo novamente o seu rosto com o capuz e olhando desconfiada para os lados.
- Os seguidores de Havengard, o teocrata, indicaram um homem chamado Melgar para governar junto ao clericato e ele transformou nossa cidade em um viveiro de fanáticos com sua nova religião. Eu mesmo pude comprovar a fúria daqueles que se auto-proclamam aos quatro ventos de “os fervorosos”, ao queimarem em praça publica um “herege”, sem a menor piedade. Contou a elfa, estarrecida.
Continua...
Blue Bird - Ikimono Gakari Naruto Shippuden

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