
- Talvez nossos amigos saibam. Disse Farid euforicamente. - Se eles estiverem aqui, muita coisa pode ter acontecido em dez anos. Retrucou Garth.
- Eles estarão aqui, se estiverem vivos! Disse Farid num tom mais baixo.
- Foi um juramento sagrado o que nos fizemos, nos encontrarmos novamente depois que dez anos tivessem se passado para contar o que tivéssemos descoberto sobre o mal que estava se espalhando pelo mundo. E pensar que nos viríamos para casa e encontraríamos o mal na soleira de nossa porta! Desabafou o anão.
- Psiu! Quieto! Repreendeu Flecha, enquanto vários transeuntes olhavam alarmados pelas palavras do anão descuidado.
- Melhor não falar sobre isso aqui. Aconselhou a elfa balançando a cabeça.
Ao chegar ao topo da escada, Garth abriu completamente a porta da hospedaria.
Uma onda de luz, ruídos, calor e o cheiro familiar de um belo javali recheado de batatas, impregnaram o ar, atingindo-os em cheio. Garth, examinando a multidão com seus olhos rápidos de leprechal, deu um grito e apontou para o outro lado do salão.
- Ali! Só pode ser ele...
A luz do fogo reluzia no elmo de um dragão alado, brilhante de tão polido.
- Quem é? Perguntou Farid forçando a vista para enxergar.
- Montante. Respondeu-lhe Flecha sorridente.
- Então, Dante estará aqui... Disse o anão, com certo desinteresse na voz.
O leprechal já estava se enfiando no meio daquele monte de gente, seu corpo pequeno e flexível quase despercebido pelas pessoas por quem ele já tinha passado. Flecha torcia fervorosamente para que o gnomo não estivesse “adquirindo” nenhum objeto dos clientes da hospedaria. Não que ele roubasse coisas, Garth teria ficado profundamente magoado se alguém lhe acusasse de roubo. O fato é que o leprechal sentiu uma curiosidade insaciável, de modo que, vários objetos interessantes que pertenciam a outras pessoas descobriam um jeito de parar na mão de Garth. A elfa e o anão tiveram mais dificuldade para atravessar a multidão que seu pequeno amigo. Quase todas as cadeiras haviam sido ocupadas, todas as mesas estavam cheias. Aqueles que não tinham conseguido achar um lugar para se sentar ficavam em pé, falando em voz baixa. As pessoas olhavam para Flecha e Farid de uma forma estranha, com desconfiança ou curiosidade. Ninguém cumprimentou Farid, embora houvesse várias pessoas que tinham sido fregueses do trabalho do anão como ferreiro, durante muito tempo. As pessoas do Vale da Nevoa tinham seus próprios problemas e aparentemente, Flecha e Farid eram agora considerados forasteiros. Ouviu-se um rugido do outro lado do salão, vindo de uma enorme mesa, onde o elmo de dragão refletia a luz da lareira. O rosto fechado de Flecha se transformou em um sorriso quando ela viu o gigante Montante levantar o pequeno Garth do chão num abraço de urso.
Farid, movendo-se com dificuldade através de um mar de fivelas de cintos, poderia apenas imaginar a visão quando ele ouviu a voz retumbante de Montante, respondendo a saudação do astuto leprechal.
- É melhor Montante cuidar de seus pertences ou contar seus dentes. Resmungou Farid.
O anão e a elfa conseguiram finalmente atravessar a multidão que se encontrava na frente do balcão do estabelecimento. Flecha removeu apressadamente o arco longo e a aljava com setas de suas costas, antes que Montante os transformasse em gravetos.
- Minha estimada amiga! Exclamou o bárbaro.
Os olhos de Montante estavam úmidos. Parecia que ele queria dizer mais alguma coisa, mas estava tomado pela emoção. Flecha também não conseguiu falar nada durante alguns momentos, mas porque ela teve o ar espremido para fora de seus pulmões pelos braços musculosos de Montante. Depois de ser suspensa no ar por alguns instantes, a elfa não se conteve e na primeira oportunidade, de imediato perguntou ainda ofegante, ao seu vigoroso amigo:
Continua...
Muito bom...
ResponderExcluirMe senti em plena era medieval.
Você ambientou muito bem este cenário e
os personagens estão uma obra, principalmente Garth o duende!
Gandalf "o cinzento"