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sexta-feira, 29 de julho de 2011

Diário de Caça # O Princípio do Fim Cap. 1/7

"Viver é sonhar, do acaso a glória 
pensamento que se põe a delirar
sombra de uma sombra a se devorar
numa batalha em que não há vitória
somente sangue a derramar."

Algumas lembranças ficam para sempre guardadas em nosso subconsciente. Coisas boas, como uma música, uma amizade, um encontro, etapas que por mais que o tempo passe, são praticamente impossíveis de serem apagadas de nossa memória, quer queiramos ou não.
Evidentemente, "não só de flores é feita a vida", já dizia o poeta. Adjunto as flores, florecem os espinhos e por esta feita, em certos momentos nos flagramos assombrados por alguns fantasmas que insistem em nos visitar de forma recorrente.
Recordações que por mais que tentamos exorcizá-las, parecem impregnadas em nossa alma. Todavia, sobrepujar esses sentimentos se tornou uma necessidade trivial em nossas vidas. O fato é que, ao extirpar tais temores, nos pegamos iludidos por um falso êxito que nos conforta e nos resigna ao passar do tempo, com esse tamanho desconforto.
No entanto, é na calada da noite, quando a proteção do astro rei não mais nos faz companhia, no exato momento no qual cerramos as palpebras em busca de descanço, que somos surpreendidos por aquela presença indesejada. Sim, é ele, nosso demônio interior... Aquele que revira nossos pensamentos como um tormento, arrancando um suor gelado de nossos poros, produzindo um flagelo contínuo que nos assombra compulsivamente, nos tirando a razão.
Dizem os especialistas que para vencermos o medo precisamos enfrentá-lo. Não sei se isso esta correto, mas confesso que me peguei por diversas vezes questionando-me sobre tal afirmação. É muito difícil aceitar a simples hipótese de tornar palpável, através de um infrentamento, algo que é capaz de proporcionar tamanho incômodo em nossa alma. Entretanto, é igualmente tortuoso passar ano após ano, sofrendo com um pesadelo que lhe rouba a paz e o sono. Talvez por conta disso, eu esteja aqui, esgueirando-me dentre estas ruinas enfadonhas da Baía de Guantanamo. O lugar que jurei jamais pisar, há mais de trinta anos...
Trago como alento a certeza de  que a quebra de uma promessa, efetuada sob tais condições, só pode vir a prejudicar a mim e a mais ninguém. Neste cenário surreal, o sol reflete um brilho cativante sobre o espelho d'agua, que circunda estas contruções tomadas pela vegetação local da ilha. A paisagem a minha volta me traz sensações diversas... Ódio, frustração, dor, um turbilhão melancólico que me aperta o coração. Fecho os olhos, minha respiração oscila e o inevitável se faz presente. É impossível esquecer aquele fatídico dia.
Ofegante, tento me consolar, pensando que naquela época eu tinha uma visão do mundo completamente diferente da que tenho hoje. Obviamente aquela imagem superficial que outrora detinha em minha mente, sucumbiu ao passar dos anos. Tento focar no momento e não esquecer o motivo pelo qual estou aqui...
Vingar a morte de meus pais, a qualquer preço.
Continua...
16 - Evanescence - My Immortal

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